Institucional



18.05.2026

ITF PROMOVEU A SEGUNDA LIVE DO MÊS MARIANO

Frei Jonas Nogueira da Costa, ofm da Província Franciscana Santa Cruz apresentou uma reflexão sobre “Maria, Mãe do Filho de Deus: a encarnação na perspectiva franciscana”. A conferência destacou como São Francisco e Santa Clara de Assis compreenderam Maria não apenas como figura devocional, mas como modelo concreto de pobreza, cuidado, liberdade e seguimento de Cristo.

A live ocorreu no dia 13 de maio, foi promovida pelo Instituto Teológico Franciscano (ITF), em parceria com a Editora Vozes e a Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB), apresentada por Frei Sandro Roberto da Costa, ofm e moderada pela professora doutora Maria Beatriz de Souza e Mello. Confira abaixo os principais assuntos abaixo e o vídeo completo aqui.

Os principais temas da live: 
•    A mariologia de Francisco nasce da cristologia
•    Presépio de Greccio a genialidade de Francisco revela o “Deus pobre”
•    Maria está “no coração da Trindade”
•    Deus escolheu Maria para se fazer pobre
•    Eucaristia e encarnação estão unidas
•    Maria Virgem feita a Igreja”
•    Francisco rejeita machismo e triunfalismo
•    A devoção não pode virar mercadoria
•    Clara de Assis via Maria como forma de vida
•    Clara foi uma mulher extremamente forte
•    Paz e bem precisa virar modo de vida

A mariologia de Francisco nasce da cristologia
Para falar da mariologia de Francisco de Assis, começamos pela cristologia. Porque a mariologia de Francisco é um desdobramento da sua cristologia, é a figura do Cristo pobre e crucificado, que tem ao seu lado a figura da mãe, a mãe também pobre e que segue o Cristo, segue a vida que ela escolhe, abraça pela encarnação do verbo, uma vida de pobreza. Então, a mariologia de Francisco, ela é um desdobramento da cristologia, que traz características muito interessantes.

Presépio de Greccio a genialidade de Francisco revela o Deus pobre 
É interessante a gente começar essa conversa lembrando a peculiaridade, a genialidade de Francisco no ao criar o presépio de Greccio. Nós estamos no ano de 1223, no Eremitério de Greccio, quando Francisco tem essa intuição de mostrar no modo catequético a realidade da encarnação do verbo. E essa realidade é qual? Deus se fez homem, Deus se fez pessoa em Jesus Cristo, mas numa condição de pobreza, numa realidade que Deus escolhe ser pobre com a Virgem Maria ou a partir da Virgem Maria. Em um lugar específico de modelo e modo contextualizado. Então, Greccio nos guarda essa grande catequese mariologia, cristológica, do Cristo pobre crucificado e de sua mãe também que o acompanha nessa caminhada.

Maria está no coração da Trindade
Se nós tomamos tomarmos a antífona do ofício da paixão, nós vamos perceber que Francisco, saudando a mãe de Deus, ele coloca a Virgem Maria no mistério da Santíssima Trindade. Ela é filha de Deus Pai, mãe de nosso Senhor Jesus Cristo, esposa do Espírito Santo. Então, dentro dessa perspectiva trinitária, Maria está no coração do mistério de Deus. Ela não concorre, ela está no coração de Deus e apresenta-se nessa relação com a Santíssima Trindade num lugar qualificado, num lugar singular, como a mãe do filho de Deus, a mãe do Senhor.

Dentro dessa afirmação, e aqui a gente parte da do começo desse coração trinitário, uma afirmação de Nestório que em 430 ele escreve uma carta, com a seguinte afirmação: "Se alguém não confessar que o verbo saído do Pai é unido, segundo a hipóstase, a carne, e que Cristo é um só com a própria carne, deve dizer Deus e homem juntamente, seja anátema." Ou seja, quem não confessar a encarnação real do verbo e que houve uma união hipostática da natureza divina com a natureza humana, que seja colocado fora, que não se entenda como pertencente à fé cristã. E é curioso que Francisco de Assis, quando ele escreve a sua primeira admoestação, diz: "Todos os que viram o Senhor segundo a sua humanidade, mas não creram pelo Espírito e pela divindade que ele é o filho de Deus, essas pessoas foram condenadas porque elas se colocaram fora da comunhão." Então, nós percebemos em Francisco, no tema da encarnação do Verbo, a figura da Virgem Maria, uma linha de continuidade com a história, com a patrística, com toda a fé da igreja. 
Pode-se afirmar que Francisco de modo ortodoxo, com toda a fé da igreja, que Maria, sim, é mãe biológica do filho de Deus. Ela é a mãe do Verbo encarnado, nós a invocamos e entendemos dogmaticamente Maria como mãe de Deus, mãe biológica no sentido de genitora.

Deus escolheu Maria para se fazer pobre
Depois disso, é importante também aquilo que nós chamamos de uma dimensão kenótica. Deus na sua grandeza se fez pequeno. Saindo dessa dimensão trinitária ou com ela, nós lembramos a segunda carta aos fiéis de Francisco. E esse tema ele aparece várias vezes nos escritos de Francisco,
que vai nos dizer assim que o Cristo sendo rico, ele está partindo de um texto de Coríntios, segundo Coríntios. Acima de todas as coisas, ele quis neste mundo, com a sua  beatíssima mãe, escolher a pobreza. Então, o que que ele está dizendo a todos nós? A encarnação, de fato, é algo biológico. Deus se fez homem, pessoa no seio da Virgem Maria. Mas nessa escolha, nessa encarnação, a kenosis, não se dá apenas na divindade que se faz humanidade, num Deus que se faz homem. A kenosis do verbo também consiste no esvaziamento de Deus, que sendo rico se faz pobre a partir da figura de Maria. 

Eucaristia e encarnação estão unidas
Francisco vai dizer que diariamente o Senhor Jesus ele se humilha como quando veio do trono de Deus Pai ao útero da Virgem. Então, a primeira kenosis, a primeira vinda, podemos assim dizer, do Senhor, do trono do Pai para o seio da Virgem. Mas Francisco contínua de um modo muito genial, que vai dizer que diariamente também isso acontece no mistério do altar, de onde Deus desce de novo do trono do Pai, da glória celeste, do seio de Deus Pai para o altar. Ele desce ao altar sobre as mãos do sacerdote. Mas esse tom, aquilo que acontece no seio da Virgem enquanto vinda de Jesus é o que acontece no altar. E há uma expressão que ele coloca no meio disso sobre a aparência humilde.  A humildade dentro dessa perspectiva franciscana é um constante processo de esvaziamento de todos nós, de tudo aquilo que não é o bem supremo, o próprio Senhor, nós vamos nos fazendo menores, nos fazendo solidários uns com os outros.

Maria Virgem feita Igreja
Santo Ambrósio falava de uma mútua correspondência de predicados entre Maria e a Igreja. Se dizemos que Maria é virgem, nós podemos falar que a igreja também é virgem. Maria é mãe, a igreja também é mãe. Maria foi uma seguidora da palavra, a igreja é uma seguidora da palavra.  Francisco coloca isso nos seus textos, nas suas orações. Quando nós tomamos a saudação à mãe de Deus, que Francisco começa dizendo: "Salve, rainha, santa Mãe de Deus", imediatamente traz um título novo, virgem feita igreja. Então, Francisco vê claramente essa realidade, essa similitude de predicados. Se Maria é a santa Mãe de Deus, ela é a virgem feita igreja.

A igrejinha da Porciúncula ela para todos nós, franciscanos, franciscanas, como um sinal para toda a igreja, ela é o próprio coração pobre da mãe de Deus. Ela é o coração carismático da nossa família franciscana. Aquela igrejinha é a imagem da Virgem Maria na sua maternidade, na sua acolhida, na no útero da mãe de Deus, que acolhe a todos nós e nos gera pelo poder do Espírito Santo, é claro, para Cristo. Então, a beleza dessa união da maternidade divina de Maria com a maternidade da Igreja e o modo como a Igreja de Santa Maria dos Anjos, a Porciúncula, congrega toda essa realidade.

Francisco rejeita machismo e triunfalismo
Existem cinco ausências no pensamento Franciscano. A primeira é a exaltação de masculinidade ou um triunfalismo machista. Francisco, ele nos escritos a figura do Pai, o atributo paterno, ele fica na figura de Deus Pai. Ele é o Pai. Depois nós não temos tantas expressões de paternidade, mas curiosamente a figura materna ela aparece em vários textos escritos de Francisco. Ele vai dizer a todos nós que a nossa fraternidade franciscana é uma fraternidade de irmãos e, claro, de irmãs, mas com características maternas. Isso está presente na Regra não bulada e na regra dos eremitérios.

Esse enfoque materno que, é claro, ele vai buscar na mãe de Deus essa maternidade, esse lugar por excelência de contato, de relação é um contraponto ao discurso redpill e outros movimentos como os legendários de ensinar o homem a ser homem, ignorando a violência contra mulher e o feminicídio. Então a encarnação do Verbo e a maternidade divina é pensar que isso em Francisco traz um modo de agir e pensar que ilumina as nossas posturas, ilumina algumas questões nossas no dia de hoje.

A devoção não pode virar mercadoria
Francisco rejeita o Devocionismo e fala de Maria no mistério de Cristo, no mistério da Igreja. O pensamento mariológico de Francisco é bíblico, devocional, dogmático, inserido nas questões de seu tempo. Ele guarda essa genialidade e essa ausência de Devocionismo. Também convida todos nós a termos outras posturas diante de devoções que são oferecidas como uma mercadoria a ser consumida e não como um processo de afeto e de conversão. 

Outro ponto de destaque o equilíbrio muito grande entre a questão pneumatologia mariológica. Ao dizer o que é uma atribuição do espírito, aquilo que é o lugar da Virgem Maria como esposa do Espírito Santo. Ela é esposa, não sentido da realidade de uma união esponsal ou de uma figura feminina em igualdade ou inferioridade do marido. Mas na intimidade de Maria com o espírito, é que Francisco nos mostra nos seus textos, na experiência da nossa Ordem, essa relação saudável, Maria está sob o Espírito Santo, na intimidade do Espírito Santo. Então, uma experiência que Francisco traz a todos nós que resguarda esse lugar. 

Francisco é um poeta, ele está mergulhado num amor cavaleiresco com a mãe de Deus e deixa transbordar isso. E aí aprendemos algo da teologia franciscana. O amor antecede a teologia ou o amor brota da teologia ou porque Deus é o sumo bem.

A encarnação é real, é biológica, mas ela também é uma encarnação que se dá num contexto socioeconômico específico, sendo que é Maria quem faz Jesus pobre por causa do querer divino. Ela é a mediação, o meio de Deus se fazer pobre em Jesus Cristo dentro de uma história, dentro de uma cultura. Isso aqui é fantástico, essa genialidade, Francisco, essa atenção à encarnação do verbo, mas não esquecendo de forma alguma de contexto socioeconômico.

Clara de Assis via Maria como forma de vida
Em Clara de Assis, o pensamento mariológico não é antagônico ao de Francisco. Se a ênfase de Francisco estava nas orações, nos louvores, também Clara está mergulhada no louvor, na oração à mãe de Deus. Ela também a regra traz isso, mas no sentido do modo como a Clara de Assis, ela vive a experiência do segmento de Jesus sob o olhar, sobre a interpretação mariológica.

Dentro disso, um primeiro aspecto de Clara de Assis, que eu gostaria de ressaltar, é a questão da virgindade. A questão da virgindade consagrada para Clara de Assis, na vida de Clara de Assis, é um elemento fundamental nos seus textos como uma consagração em abertura, não em fechamento. E a virgindade consagrada de Clara, ela encontra um paralelo de vivência a partir da maternidade de Maria, isso está presente na terceira carta à Inês.

Clara foi uma mulher extremamente forte
Clara, ela não se isola. na sua genialidade, na sua personalidade, mas ela nessa dimensão da maternidade de Maria que fez traduzir esse amor na maternidade que ela vive enquanto um cuidado para com as irmãs. O ofício de Clara de Assis foi um ofício de cuidado. Outra e última dimensão de Clara de Assis dentro da questão da maternidade de Maria, da encarnação do Verbo, é aquilo que nós chamamos de imitação de Maria. As fontes apresentam Clara de Assis como a perfeita imitadora de Maria. Imitação como um seguimento radical de nosso Senhor Jesus Cristo sob o modelo de Maria, sobre a forma de vida, da Virgem Maria. E aqui, quando nós falamos dessa imitação, forma de vida da questão da maternidade, e a pessoa que melhor nos responde o que é a espiritualidade mariana é Clara de Assis. 

Nas quatro realidades Clara foi mãe, esposa, virgem e irmã pobre. Ela mostrou a verdadeira devoção mariana, a verdadeira espiritualidade mariana dentro da nossa perspectiva de família franciscana, de espiritualidade franciscana. Mãe por causa do cuidado, mãe por causa da sua feminilidade com que ela lida e acolhe as pessoas. Ela foi esposa, Clara, foi a esposa do Cristo crucificado e viveu essa dimensão do amor esponsal, como Maria também, Maria esposa de José, esposa no sentido aquela que tem intimidade com a Santíssima Trindade. Clara foi virgem no sentido da fecundidade de uma vida aberta para Deus. E é claro, irmã pobre, clara se entendeu a todo momento e viveu nisso, nessa imitação como segmento radical.

Por fim, a dimensão de Clara e de Maria ou de Maria e Clara é o amor como exercício da autoridade, exercício do cuidado e do serviço, o amor concreto aos irmãos e irmãs.

Paz e bem precisa virar modo de vida
O nosso desejo, não é, de construir um mundo melhor. Nós temos um desafio muito grande. A gente olha a situação de violência, de violências, as situações de desrespeito, racismo. Hoje, o dia 13, a gente não lembra só Nossa Senhora de Fátima, mas toda uma história dos nossos irmãos, irmãs, negros, negras. E a gente vê o tanto que nós precisamos de Francisca e Clara para que paz e bem não seja apenas uma saudação. Mas seja um modo de um modo de vida e de fazer política também. 

Sobre a série de Lives
A série de Lives sobre Maria na Espiritualidade Franciscana é uma realizado pelo Instituto Teológico Franciscano (ITF) em parceria com a Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB), com a Universidade São Francisco (USF) e a Editora Vozes. A live próxima será no dia 20 maio assessorada por Frei Paulo Roberto Santana, ofm, da Paróquia do Sagrado Coração de Jesus de Petrópolis e moderada pela professora Eliane Dias com o tema As orações marianas no pensamento Franciscano.
 

Frei Marcelo Tadeu da Silva Cardoso, OFM

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