Institucional

23º Domingo do Tempo Comum

03.09.2021
Liturgia

23º Domingo do Tempo Comum

 Oração: “Ó Deus, pai de bondade, que nos redimistes e adotastes como filhos e filhas, concedei aos que crêem no Cristo a verdadeira liberdade e a herança eterna”.

Primeira leitura: Is 35,4-7a
Os ouvidos dos surdos se abrirão

e a boca do mudo gritará de alegria.

A primeira parte do Livro de Isaías (Is 1–39) denuncia os pecados de Judá e anuncia a salvação. Anuncia também o julgamento das nações vizinhas, que oprimiram o povo eleito. Depois do julgamento divino do vizinho reino de Edom, em Is 35, um profeta pós-exílico anuncia mais uma vez a salvação para Israel. Um “apêndice histórico” (Is 36–39) conclui esta primeira parte de Isaías. No texto que ouvimos, o profeta fala a um povo desanimado e sem esperança. Os que ouviram as promessas do profeta anônimo no exílio (Is 40–55) encontraram em Judá uma realidade nada animadora. As estes o profeta reafirma que as promessas continuam válidas. Por isso não devem desanimar, ao contrário, confiar na presença de Deus. Ele é o Deus criador que age na história humana. Vê o sofrimento do povo e vem para salvá-lo. A salvação é descrita com imagens de transformação da natureza, na qual o que parece errado será corrigido: os cegos tornarão a ver bem, os surdos a ouvir, os mudos a falar e até no deserto brotarão torrentes de água. Com esta linguagem o profeta procura recuperar a fé, a esperança e a confiança do povo no Deus de Israel. Quando João Batista da prisão manda perguntar a Jesus: “És tu aquele que há de vir ou devemos esperar outro”? (Mt 11,5), Jesus manda dizer-lhe que a profecia de Is 35,5-6 estava se cumprindo em sua missão (Evangelho).

O salmo responsorial (145,7-10) apresenta oito ações salvadoras de Deus, que transformam a vida humana. Elas se tornam evidentes na pregação e na ação de Jesus em favor dos pobres e injustiçados. Jesus nos convida a agirmos da mesma forma como Deus age. Então nossa vida será um sincero louvor a Deus.

Salmo responsorial: Sl 145,7-10

Bendize, ó minha alma ao Senhor.

Bendirei ao Senhor por toda a vida!

Segunda leitura: Tg 2,1-5
Não escolheu Deus os pobres deste mundo

para serem herdeiros do Reino?

O Apóstolo conhecia as comunidades cristãs e percebia que alguns comportamentos não condiziam com a fé em Jesus Cristo. Como exemplo cita a discriminação de pessoas na comunidade. Fiéis ricos e bem vestidos recebiam um lugar de destaque, enquanto os pobres deviam ficar de pé ou sentar-se no chão. Todo ser humano possui a mesma dignidade, tem os mesmos direitos e merece ser tratado com igual respeito (Dt 16,19). Tanto mais o cristão, seguidor de Cristo, que revela a face amorosa do Pai, deve evitar a discriminação no trato com os irmãos de fé. O modelo é o próprio Deus, que “escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do Reino que prometeu aos que o amam”. O critério último no relacionamento com os irmãos de fé é o amor de Deus.

Aclamação ao Evangelho

Jesus Cristo pregava o Evangelho, a boa notícia do Reino

e curava seu povo doente de todos os males, sua gente!

Evangelho: Mc 7,31-37
Aos surdos faz ouvir e aos mudos, falar.

O Evangelho de hoje conta-nos o milagre da cura de um surdo-mudo. Antes deste episódio, Jesus havia curado numerosos enfermos que eram trazidos até o caminho por onde ele passaria. Era tanta a fé das pessoas a ponto de lhe pedir que as deixasse ao menos tocar-lhe as vestes. Depois, Jesus discutiu com os fariseus e mestres da lei sobre a questão da pureza. Em seguida, a pedido de uma mulher cananeia curou sua filha. Segue, então, o evangelho que acabamos de ouvir. Jesus acabava de voltar à terra dos judeus, vindo da terra pagã de Tiro e Sidônia. Imediatamente trouxeram um surdo-mudo para que lhe impusesse as mãos. Sabiam que Jesus curava as pessoas tocando-as com as mãos, deixando-se tocar por elas ou, simplesmente, porque tinham fé. Jesus não queria dar um espetáculo. Por isso, afasta-se da multidão, para dar atenção pessoal ao necessitado. Jesus não olha para nós como multidão. Olha para cada um de nós como pessoa, com suas necessidades e limitações. Olha para cada um de nós com os olhos de Deus. Toca com os dedos os ouvidos e a língua do surdo-mudo com sua saliva, olha para o céu, suspira e diz: “Abre-te”! Jesus repete os gestos do Criador, quando modela com os seus dedos o barro para formar o ser humano. O suspiro de Jesus lembra o sopro divino da criação (cf. Gn 2,7; Sl 8; 104,29-30). É também o suspiro de alguém solidário com os deficientes e sofredores. Por isso o povo exclama: “Ele tem feito bem todas as coisas: Aos surdos faz ouvir e aos mudos, falar”. Jesus devolve à sociedade um homem novo, capaz de comunicar-se, de ouvir e ser ouvido, condição básica para conviver com os outros, para acolher e proclamar a fé. No batismo, o toque nos ouvidos e na boca do recém-batizado lembra que a fé é comunicada pela palavra, para ser professada pela palavra. Jesus também queria “abrir” os ouvidos de seus discípulos e provocar neles a profissão de fé (cf. 8,14-38) e prepará-los para a missão evangelizadora.

O que Jesus quer dizer para mim com este milagre? Jesus tocou nossos ouvidos pela sua palavra e, agora, quer tocar a cada um de nós com a celebração da eucaristia, a fim de curar nossos males.

FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

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