Institucional

6º Domingo do Tempo Comum, ano A

14.02.2020
Liturgia

6º Domingo do Tempo Comum, ano A

 Oração: “Ó Deus, que prometestes permanecer nos corações sinceros e retos, dai-nos viver de tal modo, que possais habitar em nós”.
Primeira leitura: Eclo 15,16-21
A ninguém mandou agir como ímpio.
O livro do Eclesiástico ou Sirácida é um dos últimos livros di Antigo Testamento a serem escritos (200 a.C.). É um livro sapiencial, que recolhe a sabedoria ou experiência vivida por Israel no relacionamento com Deus e com as pessoas. Sabedoria que é sintetizada na observância da lei de Deus (cf. Dt 4,1-8; 30,15-20). O texto que ouvimos convida a escolhermos o caminho dos justos, que temem a Deus e observam os seus mandamentos. Ao mesmo tempo critica os ímpios, que não temem a Deus e pensam que Ele “não vê” as maldades que praticam (cf. Sl 10,4.6.11; 64,6; 73,21). Deus nos deu a liberdade de escolhermos o caminho dos justos ou seguir o caminho dos ímpios. A palavra de Deus nos transmite a Sabedoria para escolhermos bem e sermos felizes. Estabelece, porém, alguns princípios: quem observa ou guarda os mandamentos, é guardado por eles; guardar os mandamentos divinos é confiar em Deus, que nos dá a Vida. Deus, nosso criador, num gesto de confiança, concede-nos a liberdade de escolher entre o fogo ou a água, a vida ou a morte, o bem ou o mal. Deus vela sobre aqueles que o temem e buscam a Vida. O autor critica as seguintes afirmações: 1) o pecado é inevitável; 2) Deus não se preocupa conosco e com nossos pecados. Afirma, ao contrário: 1) somos livres para escolher o bem ou o mal; 2) Deus quer a nossa salvação e que escolhamos o seu caminho para alcançá-la.

Salmo responsorial: Sl 118
Feliz o homem sem pecado em seu caminho,
Que na lei do Senhor Deus vai progredindo.


Segunda leitura: 1Cor 2,6-10
Deus destinou, desde a eternidade,
uma sabedoria para nossa glória.

Nos dois últimos domingos, Paulo nos falava da sabedoria de Deus, contrapondo-a à sabedoria deste mundo. Paulo não veio à cidade de Corinto como um filósofo para ensinar uma nova sabedoria humana. Aliás, saiu-se mal em Atenas ao falar aos filósofos sobre Jesus Cristo, morto numa cruz e ressuscitado (cf. At 17,16-34). Em Corinto também havia os que gostavam de ouvir Paulo falando do Cristo ressuscitado, mas não do Cristo morto numa cruz. Na leitura de hoje, Paulo nos fala da “misteriosa sabedoria Deus, sabedoria escondida”, mas agora revelada na cruz de Cristo. Desde toda a eternidade, antes de criar o mundo, Deus quis que seu Filho Unigênito assumisse a nossa carne humana, se tornasse nosso irmão, morresse por nós na cruz e ressuscitasse dos mortos. Tudo isso, diz Paulo, “em vista da nossa glória”, isto é, nossa salvação. É o amor de Deus que assim planejou tudo isso e “preparou para os que o amam”. Nenhum ser humano poderia ter imaginado que da morte de Cristo, e da nossa morte corporal, pudesse brotar a nova Vida com Deus para a eternidade, quando ressuscitaremos no último dia. Esse plano maravilhoso foi-nos revelado pelo Espírito de Deus.

Aclamação ao Evangelho; Mt 11,15
Eu te louvo, ó Pai santo, Deus do céu, Senhor da terra:
Os mistérios do teu Reino aos pequenos, Pai, revelas.


Evangelho: Mt 5,17-37
Assim foi dito aos antigos. Eu, porém, vos digo.

Jesus ensina a sabedoria do Evangelho, que supera a sabedoria contida nos mandamentos da Lei. O judeu podia encontrar o caminho para a vida na observância dos mandamentos. O próprio Jesus aponta o caminho dos mandamentos para o jovem que lhe perguntava: “que devo fazer para ganhar a vida eterna” (Lc 18,18-25)? Jesus não veio para abolir a Lei e os Profetas, mas “para dar-lhes pleno cumprimento”. O evangelho de hoje aprofunda o sentido dos mandamentos. Segundo Jesus, eles apontam para a dimensão mais profunda da vontade de Deus, da qual são uma pálida expressão. Jesus exige mais do que a simples observância material da Lei. Exige uma justiça maior que a justiça dos mestres da Lei e dos fariseus. Reinterpreta o mandamento “não matarás”, ao mostrar que o cristão deve evitar as mínimas ofensas (“tolo”), capazes de se agravar a ponto de levar a tirar a vida do irmão. Agrada mais a Deus a reconciliação com o irmão do que as ofertas que lhe são oferecidas no culto. O simples desejar a mulher do próximo já é adultério. Jesus pede uma atitude radical, uma sensibilidade que revele o mistério escondido em cada pessoa, que é o próprio Deus. Revela a graça divina, o caminho da vida eterna, que é um dom de Deus. Para o cristão Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida. Ele revela a verdadeira sabedoria do Evangelho, que nos leva a vivermos felizes o Reino dos Céus (de Deus) já aqui na terra.

Frei Ludovico Garmus, ofm

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