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32º Domingo do Tempo Comum, ano C 2019

08.11.2019
Artigos Liturgia

32º Domingo do Tempo Comum, ano C 2019

 Oração: “Deus de poder e misericórdia, afastai de nós todo obstáculo para que, inteiramente disponíveis, nos dediquemos ao vosso serviço”.


1. Primeira leitura: 2Mc 7,1-2.9-14
O Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna.

Os últimos três domingos do ano litúrgico C, que precedem os domingos do Advento, estão voltados para a segunda vinda do Senhor, como Juiz dos vivos e dos mortos. No Antigo Testamento, a crença na vida após a morte, junto de Deus, ainda não estava desenvolvida. Muito menos a fé na ressurreição dos mortos. Pensava-se que as pessoas que morriam iriam juntar-se aos seus antepassados, na morada dos mortos. Lá as pessoas estariam como que congeladas, incapazes até de louvar a Deus. Por isso, nos Salmos de súplica e lamentação o salmista pede que Deus lhes conceda longa vida aqui na terra. Que vantagem teria Deus em fazer morrer o ser humano na flor da idade? Apenas perderia mais alguém capaz de louvá-lo, estando vivo. No entanto, pequenos vislumbres de esperança de uma vida com Deus já aparecem nos salmos, como no Sl 73,23-26 e Sl 16,8-11, que já manifestam uma certeza: se alguém está em comunhão com Deus aqui na terra não precisa temer a morte.
A primeira leitura de hoje é uma confissão clara na ressurreição individual dos mortos. O texto se localiza no II século antes de Cristo. A Judeia estava então sob o domínio dos reis Selêucidas da Síria, herdeiros de parte do Império de Alexandre Magnos. O rei Antíoco IV, entusiasta amante da cultura grega, queria impor à força aos povos dominados os costumes gregos e o culto dos deuses pagãos. O texto narra a história de uma mulher judia e de seus sete filhos. Exortados mãe viúva, resistem heroicamente às torturas, negando-se a oferecer incenso aos deuses pagãos. Importante é o que dizem os quatro primeiros filhos, momentos antes de serem executados: “Estamos prontos a morrer, antes que violar as leis de nossos pais” (v. 2). – “Tu, ó malvado, nos tiras desta vida presente. Mas o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna” (v. 9); – “do Céu recebi estes membros... do Céu espero recebê-los de novo” v. 11); – “prefiro ser morto pelos homens, tendo em vista a esperança dada por Deus, que um dia nos ressuscitará” (v. 14).
Os judeus não separavam o corpo da alma; consideravam que a identidade de cada pessoa consistia na união do corpo com sua alma. No Evangelho, Jesus nos esclarece como será a vida da pessoa ressuscitada.

Salmo responsorial: Sl 16
Ao despertar, me saciará vossa presença
e verei a vossa face.


2. Segunda leitura: 2Ts 2,16–3,5
O Senhor vos confirme em toda boa ação e palavra.

Paulo pregou o Evangelho na sinagoga de Tessalônica durante alguns sábados, na companhia de Silvano e Timóteo. Não foi bem acolhido pelos chefes da sinagoga e poucos judeus se converteram. Teve, porém, grande sucesso entre os pagãos, simpatizantes do judaísmo, causando inveja aos judeus, que o ameaçaram. Para fugir das ameaças, os cristãos enviaram Paulo às escondidas a Bereia. Como não teve tempo para confirmá-los na fé e no conhecimento de Jesus Cristo, escreveu-lhes duas Cartas, pelos anos 50/51, focadas na esperança da segunda vinda do Senhor (escatologia). As Cartas são os primeiros escritos do Novo Testamento. No trecho hoje lido, o Apóstolo reza para que os fiéis da nova comunidade perseverem no amor de Deus e firmes a esperança e produzam frutos pelas boas palavras e ações (v. 16-17); isto é, que sejam evangelizadores pela fé que vivem na prática. Paulo pede também orações para que a palavra do Senhor seja glorificada em outras cidades como o foi em Tessalônica. Exorta os fiéis a permanecerem firmes nos ensinamentos recebidos. Que sejam firmes no amor de Deus e na esperança em Cristo, assim como o Senhor Jesus é fiel.
Assim, pela mútua oração, a fé, a esperança e o amor a Jesus Cristo se fortaleciam, e crescia o número de cristãos.

Aclamação ao Evangelho
Jesus Cristo é o Primogênito dos mortos;
a ele a glória e o domínio para sempre!

3. Evangelho
Deus não é Deus dos mortos, mas Deus dos vivos.

No Evangelho deste domingo os saduceus questionam Jesus sobre a ressurreição dos mortos. Pouco antes, Jesus havia expulso os vendedores do Templo, controlado pelos sumos sacerdotes escolhidos do partido dos saduceus (Lc 19,45-48). Jesus, o partido dos fariseus e muitos outros judeus (1ª leitura) acreditavam na ressurreição, mas os saduceus não (cf. At 23,1-11). Para estes, os mortos ficavam para sempre na morada dos mortos. Para ridicularizar a fé na ressurreição dos mortos, citam a lei do levirato (Dt 25,5-10; Gn 38; Rt 4,3-5). Segundo essa lei, se um homem se casa com uma moça e morre antes de lhe dar um filho, o irmão dele é obrigado a casar com a cunhada para gerar um filho em nome do irmão falecido. Os saduceus contam para Jesus um “caso” no qual sete irmãos tinham casado com a mesma mulher e todos tinham morrido antes de gerar um filho; por fim, morreu também a mulher. E perguntam: Na ressurreição, de qual do sete será ela mulher? Primeiro, Jesus lhes explica que as pessoas se casam apenas nesta vida presente, porque morrem. Mas, os que forem dignos da ressurreição e da vida eterna não se casarão porque já não haverão de morrer. Serão iguais aos anjos, serão filhos de Deus, porque já ressuscitaram. Isto é, estarão na vida eterna com Deus. Jesus confirma a fé na ressurreição com o episódio da sarça ardente (Ex 3,1-6). Ali Deus se apresenta a Moisés como o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacó, antepassados do povo. Portanto – diz Jesus –, “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”; e conclui: “pois todos vivem para ele”.
O apóstolo Paulo escreve longamente aos cristãos de Corinto sobre a ressurreição (1Cor 15,1-58). Alguns tinham dificuldade em acreditar que outros mortos haveriam de ressuscitar, embora acreditassem que Cristo tinha ressuscitado dos mortos. Para explicar como será um corpo ressuscitado, Paulo recorre à imagem da semente: quando semeada, ela morre, mas produz a planta e seus frutos (1Cor 15,35-49; cf. Jo 12,24). Na ressurreição, o que importa é a continuidade da identidade pessoal, entre a vida presente e a vida futura. Na semente está a futura planta, mas o formato da semente e da planta são totalmente diferentes.
Na missa, quando o sacerdote diz “eis o mistério da fé”, afirmamos nossa fé na continuidade de vida entre o Cristo morto e Ressuscitado: “Anunciamos, Senhor, a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição. Vinde, Senhor Jesus”! É o que acontecerá com todos aqueles que nele creem.

Frei Ludovico Garmus, OFM

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