Institucional



14.05.2026

INSTITUTO TEOLÓGICO FRANCISCANO PROMOVE LIVE GRATUITA SOBRE A ASSEMBLEIA GERAL DA CNBB

A defesa da vida, a unidade da Igreja e a necessidade de uma evangelização mais próxima da realidade social marcaram a 62ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Em uma live Dom Lúcio Nicoletto, bispo da prelazia de São Félix do Araguaia, tratou sobre divisão dentro da Igreja, perda de relevância social e o desafio de evangelizar em um mundo marcado pela desumanização. Durante a sua fala, o bispo também abordou temas como inclusão de pessoas neurodivergentes, iniciação à vida cristã e o compromisso da Igreja com os pobres.


A live ocorreu no dia 12 de maio, foi promovida pelo Instituto Teológico Franciscano (ITF), em parceria com a Editora Vozes e a Conferência da Família Franciscana do Brasil (CFFB), apresentada por Frei Elói Piva, ofm e moderada por Frei João Reinert, ofm.

Confira abaixo os principais assuntos e o vídeo completo aqui.


“A Igreja existe para evangelizar”
Dom Lúcio afirmou que o principal eixo das novas diretrizes da CNBB é recolocar a evangelização no centro da missão da Igreja: “Evangelizar constitui a graça e a vocação própria da Igreja. Ela existe para evangelizar.”

Segundo ele, a evangelização não pode ser reduzida a teoria ou discursos internos, mas precisa atingir concretamente a vida das pessoas. Isso porque: “o  Evangelho é para todos. Não podemos separar evangelização da promoção humana.”

“Tudo o que cria divisão é nocivo para a Igreja”
Um dos pontos cruciais da explanação de Dom Lúcio, foi a sua fala sobre as divisões internas dentro da própria Igreja. Segundo ele, movimentos ou grupos que deixam de promover comunhão acabam prejudicando a missão evangelizadora: “Tudo aquilo que dentro da Igreja cria divisão e não educa para a comunhão é nocivo.”

O bispo ainda afirmou que nenhuma liderança ou movimento pode se considerar “mais importante” que a própria unidade da Igreja e reforçou o que é fundamental: “O essencial dentro da Igreja é só o Espírito.”

A Igreja perdeu espaço na sociedade
Ao tratar sobre a relação com a sociedade, ele reconheceu que a Igreja Católica vem perdendo influência social e já não ocupa o mesmo espaço de referência de décadas atrás: “Hoje a Igreja começou a ser desconsiderada pela sociedade.” 

Apesar disso, é constatado que a crise pode representar uma oportunidade de conversão e humildade, a exemplo do Cristo pobre, despido e crucificado.

“Sem compromisso social, traímos o Evangelho”
Ao comentar as críticas feitas à atuação social da CNBB, Dom Lúcio foi direto: evangelização sem compromisso com os pobres contradiz o próprio Evangelho: “Quando o Evangelho é vivido de forma intimista, sem atender ao clamor do povo, estamos traindo o Evangelho.”

Isso porque o Evangelho é sempre em prol da vida e defender a vida envolve cuidar dela em todas as suas etapas, enfrentando a fome, violência, exclusão, injustiça social e abandono dos mais vulneráveis.

Inclusão de autistas e neurodivergentes entrou no debate
Ao ser questionado por Frei João Reinert sobre a acolhida dos neurodivergentes, o bispo comentou que a Assembleia discutiu o crescimento de desafios ligados à saúde mental e à inclusão de pessoas neurodivergentes dentro das comunidades e das famílias. Ele reforçou que é preciso reconhecer que existem pessoas que merecem nossa atenção, acolhida e compaixão.

 Além disso, fica o alerta de que nem sempre a Igreja terá respostas prontas, mas precisa oferecer presença e solidariedade.

“Não basta preparar para sacramentos”
Outro tema central da entrevista foi a iniciação à vida cristã, considerada prioridade pastoral da Igreja no Brasil. Dom Lúcio criticou uma visão meramente sacramentalista da fé: “Não basta preparar pessoas para receber sacramentos. É preciso formar discípulos missionários.” 

Ele afirmou que a fé nasce do encontro pessoal com Cristo através da Palavra, da liturgia e da caridade.

“A Igreja precisa recuperar credibilidade pelo testemunho”
Ao falar sobre sua atuação na prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Lúcio relembrou o legado de Dom Pedro Casaldáliga e afirmou que a Igreja só recuperará força se voltar ao testemunho concreto: “A gente pode evangelizar mais pelo testemunho do que pela palavra.”

Segundo ele: “a missão só faz sentido quando vale a pena seguir Jesus.” Pois o silêncio diante das injustiças destrói a credibilidade cristã. 

“O Evangelho é abraço, mas também denúncia”
Ao final da live, Dom Lúcio resumiu o espírito das novas diretrizes da CNBB em  uma frase: “O Evangelho é um abraço, mas também um dedo apontado para tudo aquilo que não bate com o Evangelho.” 

O bispo defendeu uma Igreja capaz de denunciar injustiças sociais e promover uma cultura de partilha, justiça e dignidade humana. Isso porque: “Seguir Cristo é uma escolha. E essa escolha transforma a sociedade.”

Frei Marcelo Tadeu da Silva Cardoso, OFM
 

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