Institucional

28º Domingo do Tempo Comum

05.10.2021
Liturgia

28º Domingo do Tempo Comum

Oração: “Ó Deus, sempre nos preceda e acompanhe a vossa graça para que estejamos sempre atentos ao bem que devemos fazer”.

Primeira leitura: Sb 7,7-11
Em comparação com a sabedoria, julguei sem valor a riqueza.

Em todos os povos, culturas e civilizações o ser humano sempre buscou a felicidade. O ser humano analisa e reflete sobre os modos de viver que trazem ou não, a felicidade. A experiência acumulada desta busca de felicidade chama-se sabedoria. Ao longo de sua história, Israel aprendeu muito da sabedoria dos povos vizinhos. Acolheu parte dela dentro da própria experiência religiosa. Mas foi na Lei de Deus que encontrou a sabedoria que distingue Israel de outros povos. Quando os povos conhecerem essas leis, dirão: “Sábia e inteligente é, na verdade, esta grande nação” (Dt 4,6). A sabedoria de Israel está contida nos chamados livros sapienciais da Bíblia. O texto que ouvimos é tirado do Livro da Sabedoria, o último livro do Antigo Testamento a ser escrito. Apresenta Salomão, rei de Israel, a quem são atribuídos os livros sapienciais, que pede a Deus o dom da sabedoria. Salomão considera a sabedoria preferível às riquezas, honras e à própria saúde, porque “todos os bens me vieram com ela” (Sb 8,2-5). Na concepção judaica daquele tempo, a riqueza era considerada uma bênção de Deus, dada aos que observam a Lei de Moisés, fonte da verdadeira sabedoria. No entanto, a riqueza por si só não traz a felicidade. A felicidade vem do bom relacionamento com Deus, com o próximo e, especialmente, com os irmãos mais necessitados. O Reino de Deus trazido por Jesus não combina com as riquezas, quando não partilhadas com os mais pobres (Evangelho).

Salmo responsorial: Sl 89

Saciai-nos, ó Senhor, com vosso amor, e exultaremos de alegria.

Segunda leitura: Hb 4,12-13
A Palavra de Deus julga os pensamentos e as intenções do coração.

A Carta aos Hebreus dá um grande destaque à Palavra como comunicação de Deus com os seres humanos. Desde o início lembra que Deus se comunica com seu povo: “Deus falou antigamente a nossos pais pelos profetas. Agora, nos últimos dias, falou-nos pelo Filho […] por quem criou também o mundo” (Hb 1,1-2). As palavras que usa para qualificar a Palavra chegam a personificá-la. Ela é viva, eficaz (cf. 2Tm 3,15-16), cortante, penetra até o mais íntimo de nosso ser e nos julga, e a ela devemos prestar contas. Em João, a Palavra é o próprio Filho que o Pai nos enviou: “E a Palavra se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14). Assim é a Palavra de Deus que ouvimos na celebração da Missa. Como essa Palavra nos tocou hoje?

Aclamação ao Evangelho

Felizes os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus.

Evangelho: Mc 10,17-30
Vende tudo o que tens e segue-me!

Domingo passado ouvimos Jesus respondendo a uma pergunta dos fariseus sobre se é permitido ao marido escrever uma carta de divórcio e despedir sua mulher. Na resposta Jesus remetia para o para o projeto de Deus para o matrimônio: Deus fez o ser humano à sua imagem e semelhança e os fez homem e mulher, para gerar filhos e para ser um auxílio necessário mútuo, vivendo em comunhão de vida e amor um com o outro. Depois, na casa de Pedro, Jesus explicou aos discípulos que o divórcio equivale ao adultério. Abençoou também as crianças, que merecem amor e não podem ser esquecidas em caso de separação

Hoje ouvimos que, logo depois desta cena, Jesus se pôs a caminho de Jerusalém com os discípulos. Então veio um jovem correndo ao seu encontro, ajoelhou-se aos pés de Jesus e perguntou: “Bom mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna”? Jesus o questiona: “Por que me chamas de bom? Somente Deus é bom”! A busca da vida eterna, da felicidade definitiva com Deus, parecia sincera da parte do jovem. Jesus lhe indicou o caminho da sabedoria da Lei (1ª leitura). O jovem respondeu que sempre observou com fidelidade os mandamentos. Olhando para ele com amor, Jesus percebeu que ainda faltava ao jovem alguma coisa para ser seu discípulo. Propôs-lhe, então, um novo caminho para ganhar a vida eterna, o caminho do Reino de Deus: “Vai, vende tudo o que tens e dá aos pobres […]. Depois vem e segue-me”! O jovem ficou triste e foi embora, “pois era muito rico”. E Jesus comentou: “Como é difícil para os ricos entrar no Reino de Deus”! Os discípulos se espantaram e Jesus repetiu: “Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus”! É difícil para todos e mais difícil, ainda, para os ricos: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus”. Pedro, então, pergunta o que vão ganhar eles, que largaram tudo para segui-lo. Jesus responde: No presente, uma nova família, a comunidade cristã que os acolhe; no futuro, a vida eterna. O seguimento de Cristo exige uma opção básica: Largar as riquezas e tudo que nos amarra, para abraçar com generosidade o Reino de Deus e servir ao próximo, especialmente os irmãos na fé. “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça e todas as coisas vos serão dadas de acréscimo” (cf. Mt 6,33). O jovem rico podia ganhar a vida eterna observando a Lei de Moisés. Os apóstolos ganharão a vida eterna por terem largado tudo para seguir a Jesus. A vida eterna com Deus é a meta tanto do judeu como do cristão. Mas o judeu acreditava receber a vida eterna como recompensa por ter observado a Lei. O cristão, porém, deve abraçar e viver a proposta do Reino de Deus aqui na terra, seguindo o caminho de Jesus, amando a Deus acima de tudo e ao próximo como Jesus o amou. A vida eterna não é um mérito, e sim, um dom gratuito de Deus para aqueles que o amam.

FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

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