Institucional

27º Domingo do Tempo Comum

27.09.2021
Liturgia

27º Domingo do Tempo Comum

Oração: “Ó Deus eterno e todo-poderoso, que nos concedeis no vosso imenso amor de Pai mais do que merecemos e pedimos, derramai sobre nós a vossa misericórdia, perdoando o que nos pesa na consciência e dando-nos mais do que ousamos pedir”.

Primeira leitura: Gn 2,18-24
E eles serão uma só carne. 

Na Bíblia temos duas narrativas da criação do ser humano (Adam). A primeira (Gn 1), chamada sacerdotal, coloca no sexto dia a criação dos animais e do ser humano, coroando toda a obra da criação (Gn 1,24-31). A criação do ser humano é descrita com solenidade: “Façamos o ser humano à nossa imagem e semelhança […] Deus criou o ser humano à sua imagem, à imagem de Deus o criou, macho e fêmea ele os criou” (v. 26-28). Em vista da procriação o ser humano é especificado como “macho e fêmea”; por isso recebe a bênção divina (v. 28). A segunda narrativa (Gn 2) não se preocupa com a criação do mundo, mas com o ser humano e sua relação com demais criaturas criadas no 6º dia, ligadas ao mesmo chão (Gn 1,24-31). O ser humano e os animais são feitos da terra, da terra brotam as árvores do jardim plantado por Deus, e da terra nascem os rios que a fertilizam. A preocupação da narrativa é mostrar que, no projeto divino, o ser humano convive em harmonia no mesmo ambiente, com as plantas e os animais e com Deus. Com as plantas e os animais, bebe da mesma água, onde os peixes vivem. Com os seres vivos respira o mesmo ar, por onde as aves e pássaros voam; assim participa do mesmo “ecossistema”. Apesar disso Deus diz: “Não é bom que o ser humano esteja só. Vou fazer-lhe uma auxiliar que lhe corresponda” (v. 18). De fato, embora feitos da mesma terra, os animais não são a companhia adequada para o ser humano. Deus coloca, então, o ser humano em sono profundo, tira-lhe uma costela e a transforma em mulher. Depois, apresenta-a ao ser humano. E ele exclama: “Desta vez, sim, é osso dos meus ossos e carne de minha carne”! A expressão indica parentesco. Desde então, o ser humano é visto como “homem” e “mulher”, ele com ela, numa comunhão de vida e de amor. Diante dela, o ser humano se reconhece como “homem”, ela como “mulher”. Ambos, ele e ela, se complementam, são um auxílio necessário um para o outro. Esta comunhão de amor, homem-mulher, é até mais forte que a união com os pais: “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne”.

Salmo responsorial: Sl 127

O Senhor te abençoe de Sião, cada dia de tua vida.

Segunda leitura: Hb 2,9-11
Tanto o Santificador, quanto os santificados descendem do mesmo ancestral. 

O autor escreve para judeu-cristãos e pagãos convertidos. Os cristãos eram discriminados e perseguidos por parte de pagãos e de judeus. Os sofrimentos e o adiamento da 2ª vinda do Senhor abalavam a fé em Cristo e a esperança na sua vinda. Aos desanimados o autor lembra que o Filho de Deus, ao assumir a natureza humana, tornou-se um pouco menor que os anjos. Solidarizou-se com os seres humanos, criados um pouco abaixo dos anjos (cf. Sl 8,6). Tornou-se assim nosso irmão, pois o “Santificador e os santificados” têm os mesmos antepassados. O “Santificador”/Jesus, nosso irmão, morreu por nós e foi glorificado, para “conduzir muitos filhos à glória” (cf. Fl 2,5-11). São palavras que ainda hoje reanimam nossa fé e reavivam a esperança, dando-nos a força do Espírito para vivermos com alegria o testemunho da vida cristã.

Aclamação ao Evangelho: 1Jo 4,12

Se amarmos uns aos outros, Deus em nós há de estar; e o seu amor em nós se aperfeiçoará.

Evangelho: Mc 10,2-16
O que Deus uniu o homem não separe.

Enquanto está a caminho de Jerusalém, Jesus continua ensinando a multidão que o segue. Os fariseus aproveitam a ocasião para provocá-lo e lhe perguntam se é permitido ao homem divorciar-se de sua mulher. Ao perguntar-lhes “O que Moisés vos ordenou” eles respondem: “Moisés permitiu escrever uma certidão de divórcio e despedi-la”. Referiam-se a Dt 24,1-4, um texto casuístico, onde se determina o que fazer no caso de uma separação existente. Escrever uma certidão de divórcio, por um lado, significava uma declaração de falência de um matrimônio; por outro, declarava que a mulher estava livre para voltar à casa paterna, ou casar-se com outra pessoa. Na resposta Jesus diz que Moisés permitiu escrever a carta por causa da “dureza de vosso coração”. Jesus remete para outra parte da Lei atribuída a Moisés, ao livro do Gênesis, onde se fala do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus, como “homem e mulher” – literalmente “macho e fêmea” (cf. Gn 1,28). E Jesus acrescenta: “Por isso, o homem [ele] deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher [ela] e eles serão uma só carne” (cf. Gn 2,24; 1ª leitura). Unindo dois textos, Jesus aponta para a dupla finalidade do matrimônio: para a geração de filhos e como complemento mútuo. Os dois são o auxílio necessário, um para o outro, do ponto de vista sexual, psicológico e na comunhão de amor entre eles e os filhos. Em casa (de Pedro), Jesus explica aos apóstolos que divórcio equivale a adultério.

A cena seguinte, que mostra Jesus abraçando as crianças, completa o projeto desejado por Deus para a família; isto é, a união homem-mulher e filhos. Diante da falência de muitos matrimônios o Estado pode e deve legislar. A orientação para os católicos, porém, vem da Igreja. O Sínodo dos bispos sobre a família renovou as orientações pastorais na busca da fidelidade ao ideal da família proposto por Jesus. Recomendou, também, que os recasados sejam acolhidos na Igreja com misericórdia.

FREI LUDOVICO GARMUS, OFM

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