Institucional

2º Domingo da Páscoa

10.04.2021
Liturgia

2º Domingo da Páscoa

Oração: “Ó Deus de eterna misericórdia, que reacendeis a fé do vosso povo na renovação da festa pascal, aumentai a graça que nos destes. E fazei que compreendamos melhor o batismo que nos lavou, o espírito que nos deu nova vida, e o sangue que nos redimiu”.


1. Primeira leitura: At 2,32-35
Um só coração e uma só alma.

Nos Atos dos Apóstolos, Lucas dirige-se de modo especial aos cristãos de origem pagã, que viviam fora da Palestina, depois do ano 80. Jerusalém já tinha sido destruída no ano 70, mas, para Lucas, a comunidade que ali vivia depois de Pentecostes continuava sendo um modelo para os cristãos da segunda geração. Era uma comunidade movida pela fé no Cristo ressuscitado e animada pelo Espírito Santo, sobre ela derramado. Viviam em comunhão fraterna, eram ouvintes assíduos no ensinamento dos apóstolos, nas “reuniões em comum, no partir do pão e nas orações” e na partilha dos bens com os mais pobres, esperando que Cristo voltasse logo (At 2,42-45). Para viver esta partilha de bens com os necessitados, havia os que vendiam até suas propriedades e depositavam o valor aos pés dos apóstolos. Lucas cita o exemplo de Barnabé, que será o futuro companheiro de Paulo nas viagens missionárias. Chega a exagerar, dizendo que “não havia necessitados entre eles”. Sabemos, porém, que havia muitos pobres em Jerusalém, para socorrê-los, particularmente para melhor atender os cristãos de língua grega, foram, então, escolhidos sete diáconos (6,1-7). Mais tarde, por ocasião de uma grande seca, a comunidade de Antioquia enviou auxílio à de Jerusalém (11,27-30) e Paulo fez coletas para socorrer os pobres da Igreja-mãe (2Cor 8–9). Com isso, Lucas quer dizer que os primeiros cristãos colocavam o amor fraterno em primeiro lugar e não os bens deste mundo. Por causa disso, apresenta-os como modelo. Quem se coloca no “caminho” da vida cristã transforma a sua vida para viver em comunidade a vida fraterna e o Reino de Deus sonhado por Jesus.

Salmo responsorial
Dai graças ao Senhor, porque ele é bom;
eterna é a sua misericórdia.


2. Segunda leitura: 1Jo 5,1-6
Todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo.

O cristão é convidado a viver a comunhão de amor com Deus e com os irmãos. O critério para saber se estamos em comunhão com Deus é o amor vivido com os irmãos (4,19-21). Neste texto, o autor afirma que o amor vivido com Deus e com os irmãos é um dom do próprio Deus. Amamos a Deus porque, pelo batismo, nascemos de Deus. Este amor nasce da fé em Jesus, o Messias e Filho de Deus (cf. Jo 20,30-31). A fé nos torna filhos de Deus e nos leva a observar seus mandamentos, especialmente, o mandamento do amor (cf. Jo 13,14-15.34-35).

Aclamação ao Evangelho
Aleluia, Aleluia, Aleluia!
    Acreditaste, Tomé, porque me viste.
Felizes os que creram sem ter visto.


3. Evangelho: Jo 20,19-31
Oito dias depois, Jesus entrou.

O texto do Evangelho deste domingo fala de duas aparições do Ressuscitado, no “primeiro dia da semana”. Foi a partir deste dia que começou a fé em Cristo ressuscitado. Desde então, a vida pública de Jesus, seus ensinamentos aos discípulos e os “sinais” (milagres) em favor dos doentes, pobres e pecadores ganharam um novo sentido. As manifestações do Ressuscitado acontecem quando os discípulos estão reunidos. Por isso, este dia passou a ser chamado “dia do Senhor”, dies Domini, ou Domingo, dia preferido para as celebrações eucarísticas em que se comemora a ressurreição do Senhor Jesus (cf. At 20,7-12; 1Cor 16,2; Ap 1,10). A presença de Jesus ressuscitado “invade” a reunião dos discípulos, ainda com medo dos judeus, e lhes comunica a paz. Jesus, de certa forma, reconcilia-se com os discípulos que o abandonaram e lhes perdoa a infidelidade. A paz comunicada por Jesus é fruto do perdão divino, que reconcilia a pessoa consigo mesma, com o próximo e com Deus. Concede-lhes o Espírito Santo e o poder de perdoar os pecados em nome de Jesus. Jesus não restringe este poder aos dirigentes da Igreja. Concede-o a cada cristão, conforme o pedimos: “Perdoai-nos as nossas ofensas assim como nós perdoamos aos que nos têm ofendido...” Um dos principais dons que Deus nos concede é o perdão de nossos pecados. A comunidade pós-pascal é uma comunidade reconciliada com Deus e com os irmãos. É uma comunidade onde reina o amor e a paz, fruto da fé no Ressuscitado a ser comunicada aos outros. Por isso, Jesus os envia em missão: “Recebei o Espírito Santo” (...). “A quem perdoardes os pecados, eles lhes serão perdoados...”
Tomé, porém, não estava presente na primeira manifestação do Ressuscitado e permanecia incrédulo aos que lhe diziam: “Vimos o Senhor”! Só acreditarei, dizia Tomé, se puder tocar as chagas de suas mãos, dos pés e do lado. Oito dias depois, de novo, Jesus se põe no meio dos discípulos reunidos, comunica-lhes a paz, e convida Tomé a tocar suas chagas. Tomé reconhece a Jesus e o adora: “Meu Senhor e meu Deus!” Jesus o repreende: “Acreditaste porque me viste?” Assim, Tomé começou a fazer parte das testemunhas privilegiadas da ressurreição do Senhor; são testemunhas, porque puderam ver e tocar o Ressuscitado, e comer com ele.
Mas João, no final do 1º século, escreve para cristãos que não conheceram o Jesus histórico, nem ouviram as testemunhas privilegiadas da ressurreição, que já tinham morrido. Mesmo assim, tinham acreditado. A estes cristãos, e a nós, Jesus diz: “Bem aventurados os que creram sem terem visto”. Felizes somos também nós, que cremos em Cristo Ressuscitado, sem tê-lo visto.

 
Frei Ludovico Garmus, ofm

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