Institucional

Domingo de Ramos, ano B

29.03.2021
Liturgia

Domingo de Ramos, ano B

Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, para dar aos homens um exemplo de humildade, quisestes que o nosso Salvador se fizesse homem e morresse na cruz. Concedei-nos aprender o ensinamento da sua paixão e ressuscitar com ele em sua glória”.


1. Primeira leitura: Is 50,4-7
Não desviei meu rosto das bofetadas e cusparadas.
Sei que não serei humilhado.

O texto de hoje traz as palavras do 3º Cântico do Servo Sofredor. É uma figura profética que está entre os judeus exilados na Babilônia. O profeta está convencido de ter recebido uma missão da parte de Deus para levar uma mensagem de conforto aos exilados abatidos. O Servo apresenta-se como um discípulo, atento todas as manhãs para receber a mensagem divina a ser transmitida. Mas, para cumprir esta missão deve enfrentar o desprezo e o sofrimento. Cheio de confiança no auxílio divino, porém, não se deixa abater. 
A exemplo do Servo Sofredor, embora ameaçado de morte pelos adversários, Jesus entra resolutamente em Jerusalém para cumprir sua missão até o fim.

Salmo responsorial: Sl 21 (22)
    Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?


2. Segunda leitura: Fl 2,6-11
Humilhou-se a si mesmo; por isso,
Deus o exaltou acima de tudo.

Jesus, Filho de Deus, podia ter escolhido o caminho do poder – sugerido pelo diabo (Mt 4,8-10) e disputado pelos discípulos (Mc 9,33-35) –, mas esvaziou-se e assumiu a condição de servo. Apresentando-se como quem é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), colocou-se a serviço de todos: “Eu estou no meio de vós como quem serve” (Lc 22,27). Identificou-se não com a classe dominante, mas com a maioria das pessoas, sujeitas à dominação, exploradas, desprezadas, marginalizadas; tornou-se solidário com todos os “crucificados” da história humana. Como o Servo do Cântico de Isaías, foi obediente até a morte de cruz. Por isso o Pai o ressuscitou dos mortos. Paulo está preocupado com o espírito de competição dentro da comunidade. Por isso recomenda: “Tende os mesmos sentimentos de Cristo Jesus”. O caminho de Cristo, humilde e solidário com todos, tornou-se o caminho do cristão.

Aclamação ao Evangelho:
Glória e louvor a vós, ó Cristo!
Jesus Cristo se tornou obediente,
obediente até a morte numa cruz.
Pelo que o Senhor Deus o exaltou, 
e deu-lhe um nome muito acima de outro nome.


3. Anúncio do Evangelho: Mc 15,1-39

A narrativa da paixão mais longa inclui o cap. 14. Ali os sumos sacerdotes e os mestres da Lei tramavam a morte de Jesus (v. 1-2). Jesus participa de um ceia de despedida na casa de Simão, o leproso (v. 3-9). Durante a ceia, uma mulher unge a cabeça de Jesus com um perfume muito caro. Alguns que estavam à mesa criticam a mulher pelo desperdício. Jesus, porém, diz: “Ela fez o que podia: derramou perfume em meu corpo, preparando-o para a sepultura”. Judas acerta com os sumos sacerdotes a traição (v. 10-11). Segue a preparação da ceia, na qual é denunciado o traidor e é instituída a Eucaristia (v. 12-25). Resumindo, pode-se dizer que a narrativa da Paixão segundo Marcos é marcada pela entrega traiçoeira (R. Ruijs). Judas entrega Jesus ao Sinédrio; o Sinédrio entrega Jesus a Pilatos e este o entrega aos soldados, que o entregam à morte. Na agonia do Horto das Oliveiras, Jesus clama ao Pai: “Afasta de mim este cálice, mas não seja o que eu quero, senão o que tu queres” (14,36). Antes, durante a Ceia, Jesus já se tinha entregue nos sinais do pão e do vinho, na doação livre de sua vida, de seu corpo e de seu sangue, pela nossa salvação. 
Na leitura mais breve de hoje, depois de ter sido condenado pelo Sinédrio, sob a acusação de querer destruir o Templo e de se fazer Messias, Filho de Deus, Jesus é apresentando a Pilatos para o julgamento. Agora, a acusação é de caráter político, como se vê na pergunta de Pilatos: “Tu és o rei dos judeus?” Pilatos sabia que os sumos sacerdotes entregaram Jesus por inveja, mas depois de interrogá-lo considera Jesus inocente. Propõe, então, libertar um prisioneiro, como era seu costume por ocasião da Páscoa. Apresentou dois prisioneiros, para que o povo escolhesse quem devia ser libertado e quem devia morrer: Barrabás (um assassino) ou Jesus, que era chamado de Messias. Instigado pelos sumos sacerdotes, o povo escolhe Barrabás e rejeita o próprio Messias, o Servo do Senhor. Apesar de reconhecer que Jesus era inocente, Pilatos manda, então, açoitar Jesus, para entregá-lo à morte. Traído por Judas, negado por Pedro e abandonado pelos discípulos, na cruz, Jesus clama ao Pai: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?” Jesus, em agonia, manifesta profunda confiança (2ª leitura) no Pai, pois seu clamor é a primeira frase de um salmo de lamentação e confiança que estava rezando (Sl 21). Vendo Jesus expirar, o oficial do exército romano (pagão) faz a confissão de fé cristã: “Na verdade, este homem era o Filho de Deus”!

Frei Ludovico Garmus, ofm

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