Institucional



05.02.2021
Liturgia

5º Domingo do Tempo Comum

 

Oração: “Velai, ó Deus sobre a vossa família, com incansável amor; e, como só confiamos na vossa graça, guardai-nos sob a vossa proteção”.

  1. Primeira leitura: Jó 7,1-4.6-7

Encho-me de sofrimento até ao anoitecer.

Jó foi atingido pelas desgraças, perdeu todos os bens e a própria saúde. É visitado por três amigos, que tentam consolá-lo e convencê-lo que Deus o castiga por causa de seus pecados. Mas eles não conseguem consolar a Jó em seu sofrimento e, muito menos, que é pecador. Jó considera-se inocente e injusto o modo de Deus agir com ele. Lamenta-se e amaldiçoa até o dia em que nasceu. Revoltado contra Deus, Jó busca uma resposta para seu sofrimento. Mas é em meio ao seu sofrimento que Jó, pela primeira vez, se dirige diretamente a Deus como a um Tu, diante do qual se lamenta e a quem dirige sua súplica: “Lembra-te de que minha vida é apenas um sopro e meus olhos não voltarão a ver a felicidade”. Jó percebe sua limitação quando cai na desgraça, lamenta-se diante de Deus e pede a graça de ser feliz. O sofrimento de Jó não afasta, mas aproxima-o ainda mais de Deus. No diálogo com Deus, reconhece e louva a sabedoria de Deus manifestada nas obras da criação.

Na pandemia do coronavírus também sentimos o quanto somos limitados. Nossos planos de vida ficaram como que congelados. Tivemos que alterar nossa rotina diária. Talvez tenhamos perguntado: “Por que tanta morte e sofrimento? Onde está Deus em tudo isso”? Os caminhoneiros, acostumados a imprevistos, formularam um provérbio: “Eu dirijo, Deus me guia”. Deixemo-nos guiar por Deus. A verdadeira resposta ao problema do sofrimento está em Jesus Cristo, o Servo Sofredor. Ele foi solidário com os sofredores, assumiu o próprio sofrimento e foi obediente até a morte de cruz.

Salmo responsorial: Sl 146

Louvai a Deus, porque ele é bom e conforta os corações.

  1. Segunda leitura: 1Cor 9,16-19.22-23

Ai de mim, se eu não pregar o Evangelho.

Jesus podia ter voltado a Cafarnaum para receber aplausos do povo e ficar por ali mesmo. Mas Ele leva os discípulos a outras aldeias para anunciar também ali o evangelho (Evangelho). Paulo também sabe que é urgente continuar pregando o evangelho em toda parte: “Ai de mim se eu não pregar o evangelho”. É uma missão que recebeu do próprio Cristo. Recebeu esta missão por graça divina. Por isso, ele prega de graça, sem esperar salário ou alguma recompensa. Tinha como princípio viver do trabalho de suas mãos, pois era fabricante de tendas. Assim ele sente-se livre em relação a todos e pode ser solidário com os mais pobres. Fez-se “fraco, para ganhar os fracos” e levar a todos a salvação em Cristo.

Aclamação ao Evangelho

O Cristo tomou sobre si nossas dores,

carregou em seu corpo as nossas fraquezas.

  1. Evangelho: Mc 1,29-39

Curou muitas pessoas de diversas doenças.

O Evangelho de hoje é a continuação e um “dia de atividade” de Jesus em Cafarnaum: De manhã Jesus está na sinagoga porque era sábado. Depois entra numa casa, onde cura a sogra de Pedro. À tarde, quando termina o sábado para os judeus, cura “muitos doentes e possuídos pelo demônio” que lhe são trazidos pelo povo, pois “a cidade inteira se reuniu em frente da casa”. De madrugada Jesus vai a um lugar deserto para rezar. Quando Pedro e os discípulos o encontram, querem que Jesus volte a Cafarnaum, pois “todos estão te procurando”, dizem eles. Jesus, porém, convida-os a irem com ele a outras aldeias onde também devia anunciar o Reino de Deus. Jesus não veio para colher aplausos. Ao contrário de Jó e seus amigos, não discute o sofrimento e suas causas. “No livro de Jó o mistério de Deus se aproxima do homem”. Jesus, porém, assume o sofrimento, cuida (curare) dos doentes e sofredores, curando-os. É claro que Jesus não curou todos os enfermos, mas os que dele se aproximavam com fé. Os milagres de Jesus são sinais do Reino de Deus, uma antecipação da vida definitiva, da ressurreição. Sinalizam também o que nós, como Igreja, devemos fazer: assumir o sofrimento do próximo, cuidando dele, como o fez o Bom Samaritano. Jesus não só se tornou solidário com os sofredores, mas assumiu o sofrimento e a morte de cruz por nosso amor, a fim de nos trazer a salvação.

Tem sido admirável o exemplo de amor e dedicação dos profissionais de saúde, que arriscaram suas vidas para salvar a vida de inúmeras pessoas contaminadas pelo Covid-19. Eles e elas tornaram presente o amor de Deus, manifestado por Jesus para com os enfermos e pobres. Curar é cuidar, e cuidar é amar.

 


FREI LUDOVICO GARMUS, OFM, é professor de Exegese Bíblica do Instituto Teológico Franciscano de Petrópolis (RJ). Fez mestrado em Sagrada Escritura, em Roma, e doutorado em Teologia Bíblica pelo Studium Biblicum Franciscanum de Jerusalém, do Pontifício Ateneu Antoniano. É diretor industrial da Editora Vozes e editor da Revista “Estudos Bíblicos”, editada pela Vozes. Entre seus trabalhos está a coordenação geral e tradução da Bíblia Sagrada da Vozes.

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