Institucional

Segundo Domingo da Quaresma, ano A

02.03.2020
Liturgia

Segundo Domingo da Quaresma, ano A

 Oração: “Ó Deus, que mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai o nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão de vossa glória”.

Primeira leitura: Gn 12,1-4a
Vocação de Abraão, pai do povo de Deus.

A vocação e missão de Abraão estão ligadas à promessa divina de uma terra e de uma grande descendência. Será uma bênção o simples fato de alguém ser descendente de Abraão. A promessa inclui também uma grande bênção: “Em ti serão abençoadas todas as famílias da terra” (v. 3); isto é, a salvação para todos os povos. Movido pela fé (cf. Rm 4), Abraão larga o conforto e a segurança da terra natal e parte para o desconhecido, confiando nas promessas divinas. A fé do patriarca Abraão torna-se modelo (Hb 10) para todos os seus descendentes e para os cristãos em geral: “A fé é o fundamento do que se espera e a prova das realidades que não se veem” (Hb 11,1). Em Abraão, Deus começa e revelar o plano de sua graça – a nossa salvação –, plano mantido em segredo desde toda a eternidade. Este desígnio de salvação “foi revelado agora, pela manifestação de nosso Salvador, Jesus Cristo” (2ª leitura).
Nós também, cheios de confiança, pelas palavras do Salmo responsorial, rezamos com a Igreja: “Sobre nós venha, Senhor, a vossa graça! Venha a vossa salvação”.

Salmo responsorial: Sl 32
Sobre nós, Senhor, venha a vossa graça!
Venha a vossa salvação.

Segunda Leitura: 2Tm 1,8b-10
Deus nos chama e ilumina.

Paulo está na prisão e nesta Carta convida seu bispo Timóteo a sofrer com ele pelo Evangelho que os dois estão anunciando, movidos pela força que vem de Deus. Participar do anúncio do Evangelho é um chamado de Deus para a salvação, “por uma vocação santa”. A salvação a qual Deus nos chama não se deve a nossas boas obras, mas é fruto da graça divina. Esta graça, escondida, mas garantida, desde toda a eternidade, foi revelada somente agora, pela manifestação de Jesus Cristo. Apenas agora Deus fez brilhar a vida e a imortalidade, através do Evangelho. – A manifestação de Jesus Cristo se dá pela sua vida terrena, pela sua morte e ressurreição, como vemos na Transfiguração (Evangelho). O caminho para a ressurreição passa pela cruz.
Jesus tinha um objetivo em sua vida: Trazer o Reino de Deus, que Ele anunciou e viveu. Ao término de sua viagem a Jerusalém, quis livremente doar sua vida pela nossa salvação. Ressuscitando dos mortos, abriu o caminho da imortalidade para toda a humanidade.

Aclamação ao Evangelho
Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória.
Numa nuvem resplendente fez-se ouvir a voz do Pai:
Eis meu Filho muito amado, escutai-o, todos vós.

Evangelho: Mt 17,1-9
O seu rosto brilhou como o sol.

Quando Mateus escreve seu Evangelho, seguindo o evangelho de Marcos, coloca a cena da transfiguração na grande viagem de Jesus da Galileia a Jerusalém (Mt 16–20). Os ensinamentos de Jesus e os acontecimentos ao longo desta viagem constituem uma catequese para a vida cristã. Chamam a nossa atenção os três anúncios da paixão e ressurreição de Jesus (Mt 17,21-23; 17,22-23; 20,17-19). Para nós, que vivemos após os acontecimentos, parece tudo claro: Jesus é Messias (Cristo), o Filho de Deus enviado pelo Pai a este mundo, que pregou e viveu o Reino de Deus, morreu por nós e ressuscitou ao terceiro dia. Mas nada era claro para os apóstolos e o povo que seguia Jesus. Quando Pedro confessou Jesus como o Cristo, pensava que o Mestre acabaria sendo proclamado rei em Jerusalém. Achou-se no direito de repreender o próprio Mestre, quando este falava de sua morte em Jerusalém; por isso Jesus o chamou de “satanás”, isto é, alguém que se opõe ao plano divino. Depois disso é que vem a presente cena da Transfiguração. E ainda no mesmo cap. 17 Jesus anuncia, pela segunda vez, sua morte e ressurreição. É neste contexto que devemos ler a Transfiguração. Era noite e, enquanto Pedro Tiago e João dormem envolvidos pelo sono, Jesus está em profunda oração junto ao Pai. De repente, os discípulos acordam e veem Jesus com o rosto brilhante e suas vestes resplandecentes de luz, tendo a seu lado Moisés e Elias. Pedro, então, exclama: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se queres, vou fazer aqui três tendas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias”... Parece ter esquecido que estavam a caminho de Jerusalém e pouco antes da visão gloriosa Jesus lhes falava de sua próxima morte. Por isso, a voz do céu insiste: “Este é o meu Filho amado, no qual pus todo o meu agrado. Escutai-o”.
Sim, o fato de o Pai ter permitido a morte violenta de seu Filho amado é a manifestação máxima de seu amor por nós. Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida por seus amigos – diz Jesus. Muitos anos depois, Pedro, na Segunda Epístola, recorda a cena da Transfiguração: (Jesus) “Recebeu de Deus Pai a honra e a glória, quando da glória magnífica se fez ouvir a voz que dizia: ‘Este é o meu filho amado, de quem eu me agrado’. E esta voz, que veio do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo” (2Pd 1,17-18).
O Evangelho que hoje meditamos nos ensina a não pararmos em nossa vida no monte da transfiguração (“Senhor, é bom ficarmos aqui...”). Como discípulos e discípulas de Jesus, somos convidados a seguir Jesus até o Calvário, aguardando sua gloriosa ressurreição, ao terceiro dia.

Frei Ludovico Garmus

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