Institucional

4º Domingo do Advento, Ano A

18.12.2019
Liturgia

4º Domingo do Advento, Ano A

 
Oração: Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do Anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à glória da ressurreição.


1. Primeira leitura: Is 7,10-14
Eis que uma virgem conceberá.

Acaz, rei de Judá, preparava-se para pedir socorro ao grande rei da Assíria, a fim de proteger-se contra os pequenos reinos vizinhos. O motivo era que o rei dos arameus e de Israel queriam forçar Acaz a entrar numa aliança contra o rei da Assíria, sob pena de o destituir do trono, colocando em perigo a promessa da estabilidade da dinastia de Davi (2Sm 7,16). Isaías desaconselha Acaz de buscar auxílio da Assíria. Pede apenas que o rei confie em Deus e peça um sinal do céu. Mas o rei prefere seguir a opinião de seus conselheiros militares a escutar a voz do Profeta. É neste contexto que é dado o sinal da virgem – assim era chamada a jovem esposa do rei – que conceberá e dará à luz um filho. Sinal que Deus não abandonava seu povo seria o nome a ser dado ao menino: Emanuel, Deus conosco. O nascimento do menino, herdeiro do trono de Acaz, seria o sinal do socorro divino no qual o rei deveria confiar. Os evangelhos e a Igreja veem em Jesus, nascido da virgem Maria, pelo poder do Espírito Santo, a realização plena do sinal do Emanuel, Deus conosco (Evangelho).

Salmo responsorial: Sl 23 (24)
O rei da glória é o Senhor onipotente;
abri as portas para que ele possa entrar!


2. Segunda leitura: Rm 1,1-7
Jesus Cristo, descendente de Davi, Filho de Deus.

Ao escrever aos romanos, Paulo segue o costumeiro cabeçalho de endereçamento de uma carta, composto por três elementos essenciais: quem escreve (“Eu, Paulo”, v. 1), a quem escreve (“a vós todos que morais em Roma”, v. 7a) e a fórmula de saudação (“graça e paz da parte de Deus, nosso Pai...”). Paulo, porém, entusiasmado pelo anúncio do Evangelho, faz acréscimos importantes em cada um dos itens. O início da Carta aos Romanos é tão denso que pode ser considerado como um resumo do Evangelho: Cristo é o Filho de Deus, “segundo o Espírito”, e Filho de Davi, “segundo a carne”; é o Senhor glorioso e ressuscitado, presente na comunidade; nele se cumprem as promessas feitas pelos profetas. Por graça de Cristo, Paulo se considera “apóstolo por vocação, para o Evangelho de Deus”, o mesmo Evangelho de Deus que Jesus começou a pregar (cf. Mc 1,14). Este Evangelho não é restrito apenas aos judeus, mas se destina também a “trazer à obediência da fé todos os povos pagãos”. Entre estes povos estão os cristãos de Roma, que acolheram a mensagem de Paulo. Com estas palavras de Paulo define-se a missão universal do Salvador que esperamos: Jesus veio para salvar toda a humanidade.

Aclamação ao Evangelho
Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho.
Chamar-se-á Emanuel que significa: Deus conosco.


3. Evangelho: Mt 1,18-24
Jesus nascerá de Maria, prometida em casamento a José, descendente de Davi.

As histórias da infância de Jesus contadas por Lucas e Mateus apresentam narrativas bastante distintas. Mesmo assim, elas contém dados comuns: o nome de Jesus, os nomes de Maria, sua mãe, e de José, seu “pai adotivo”; José como descente de Davi; que Maria já estava legalmente prometida a José; o nascimento em Belém, e Nazaré, como residência de Maria e José e de Jesus. E, principalmente, a convicção de fé acerca da concepção virginal do menino Messias e sua “filiação divina”, por obra do Espírito Santo.
Mateus apresenta a genealogia de Jesus Cristo desde Abraão até Jacó, seguindo o esquema “fulano foi pai de sicrano” (Mt 5 1,1-17). Mas, ao chegar a José diz: “Jacó foi pai de José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo”. O evangelho de hoje quer explicar por que Maria e não José está na origem da geração de Cristo: porque foi “concebido pela ação do Espírito Santo”. Este é um dado que Mateus recebeu da tradição cristã. José é apresentado legalmente como esposo de Maria. Por isso, prometida em casamento a José. Seria o que chamaríamos hoje de noivado, que, naqueles tempos, não significava ainda convivência do casal. Vendo sua noiva grávida, José, um homem justo e temente a Deus, pensava em separar-se de Maria, sem denunciá-la publicamente por infidelidade. Em sonho, porém, o anjo lhe explica o mistério. José, então, acolhe Maria em sua casa, torna-se o pai legal de Jesus e assegura sua descendência davídica. Assim, fica esclarecida a verdadeira identidade de Jesus: Jesus é descendente de Davi, através do pai adotivo e legal José; é filho da virgem Maria, esposa legal de José, mas concebido pelo poder do Espírito Santo. Por isso, é o Filho de Deus, o Emanuel, o Deus conosco, para sempre: “Eis que estou convosco, todos os dias, até o fim do mundo” (Mt 28,20).
O tema central da liturgia de hoje é o encontro do divino e do humano em Jesus Cristo, o Emanuel, Deus conosco. Paulo, na 2ª leitura, resume este mistério, lembrando que Cristo, “segundo a carne”, é descendente de Davi, mas foi “autenticado como Filho de Deus, segundo o Espírito de Santidade que o ressuscitou dos mortos”. Neste mistério do encontro do divino com o humano, Maria ocupa um lugar central. Nos evangelhos, José não pronuncia nenhuma palavra. É o homem justo e silencioso que contempla o mistério da Encarnação. Um convite para assim nos prepararmos para o Natal.

Frei Ludovico Garmus, ofm

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