Institucional

33º Domingo do Tempo Comum, ano C

14.11.2019
Liturgia

33º Domingo do Tempo Comum, ano C

 Oração: “Senhor nosso Deus, fazei que nossa alegria consista em vos servir de todo o coração, pois só teremos felicidade completa, servindo a vós, o Criador de todas as coisas”.

Primeira leitura: Ml 3,19-20a
Nascerá para vós o sol da justiça.

Na primeira leitura ouvimos um trecho do profeta Malaquias, o último livro do Antigo Testamento. Malaquias é um profeta anônimo que atuou em Jerusalém por volta do ano 460 a.C. O Templo já estava reconstruído, mas Jerusalém vivia sob o domínio Persa e da província de Samaria. Havia conflitos internos e com os samaritanos. O texto nos fala do dia do Senhor, ou dia do julgamento divino. É um tema comum aos profetas pré-exílicos, que exortavam o povo de Deus à conversão e anunciavam o juízo divino para os pecadores. Este julgamento divino aconteceu com a destruição de Samaria, capital do Reino de Israel, e de Jerusalém, capital do Reino de Judá, selando o fim dos dois reinos. Agora, o profeta anuncia o juízo de Deus para os ímpios e para os justos, para os que praticam o mal e os que procuram fazer o bem, mantendo-se fiéis à aliança do Senhor. A tentação permanente dos justos é passar para o lado dos ímpios; estes parecem ser mais felizes, porque vivem na riqueza, enquanto os justos sofrem a pobreza, a violência e o desprezo (cf. Ml 3,13-16; Sl 1; 73). Malaquias afirma que os ímpios serão erradicados e queimados como palha, enquanto para os justos nascerá o “sol da justiça, trazendo a salvação”. Sol da justiça significa a vitória do bem sobre o mal (cf. Is 41,1). Nas festas litúrgicas do Natal e da Epifania o título “Sol de Justiça” é aplicado a Jesus Cristo.

Salmo responsorial: Sl 97
O senhor virá julgar a terra inteira;
com justiça julgará.

Segunda leitura: 2Ts 3,7-12
Quem não quer trabalhar, também não deve comer.

O apóstolo Paulo vivia na expectativa da vinda iminente de Cristo ressuscitado como juiz dos vivos e dos mortos. Esperava que isso acontecesse estando ele ainda vivo. Dizia que quando Cristo vier, primeiro ressuscitarão os mortos. “Depois nós, que ficamos ainda os vivos, seremos arrebatados juntamente com eles para as nuvens, ao encontro do Senhor nos ares” (1Ts 4,17). Em Tessalônica e em outras comunidades que liam as cartas de Paulo havia cristãos que concluíram: Já que Cristo vai voltar logo, para que trabalhar? E viviam “à toa, muito ocupados em não fazer nada” (2Ts 3,11), à custa dos outros. No texto de hoje, Paulo se apresenta como modelo. Ele, como apóstolo e missionário, recusava-se a viver à custa de outros e sempre viveu do próprio trabalho para se sustentar. E estabelece uma regra de vida para todos: “Quem não quer trabalhar, também não deve comer”. Por fim, em nome do Senhor, exorta e ordena que todos “trabalhem e comam com tranqüilidade o seu próprio pão”. A vida cristã não consiste apenas em esperar a vinda do Filho do Homem. Inclui também a fé prática, o trabalho tranquilo, a vivência do Evangelho e a missão. Quando Cristo vier, quer nos encontrar vivendo o Evangelho, sem o pavor do fim (Evangelho).

Aclamação ao Evangelho: Lc 21,18
Levantai vossa cabeça e olhai,
pois a vossa redenção se aproxima.

Evangelho: Lc 21,5-19
É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida!

Certa ocasião, estando Jesus no monte das Oliveiras, um dos discípulos lhe disse: “Mestre, olha que pedras e que construções” (Mc 13,1). E Jesus disse aos discípulos: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”. Então Jesus começou a anunciar a vida do Senhor, no dia do juízo final. A expectativa da vinda iminente de Jesus Cristo era comum entre os primeiros cristãos. O apóstolo Paulo, por exemplo, esperava que a vinda do Senhor acontecesse enquanto vivo (1Ts 4,13-18). Mas a vinda do Senhor se protelava e Paulo teve que reconsiderar esta expectativa, pois havia cristãos que não trabalhavam mais porque o Senhor viria logo (2ª leitura). Quando Lucas escreve o Templo já tinha sido destruído (Lc 21,5-9.20-24) e não havia mais a preocupação com a vinda imediata do Senhor (v. 9). Lucas reafirma a esperança na vinda do Senhor; no entanto, pede que não fiquem parados, mas voltem a Jerusalém para receber o Espírito Santo e partir em missão pela Judeia, Samaria e até os confins da terra (At 1,6-11).
No Evangelho de hoje, os discípulos perguntam duas coisas a Jesus: “Quando acontecerá isto” e “qual o sinal de que estas coisas vão acontecer”? Jesus responde à segunda pergunta: a) Não se deixem enganar com falsos anúncios ‘sou eu’ ou ‘o tempo está próximo’; b) não se deixem enganar pelos sinais, como guerras, revoluções, terremotos, fomes e pestes ou outros sinais pavorosos. E conclui: “É preciso que estas coisas aconteçam, mas não será logo o fim”; c) os cristãos serão presos e perseguidos, condenados por reis e governadores, “por causa do meu nome”. Jesus não responde sobre o “quando acontecerá isso”. Exorta-nos, contudo, a permanecermos fiéis à nossa missão de anunciar e viver Evangelho: “É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida”. É com esta fé e esperança que devemos ganhar o próprio pão (2ª leitura) e anunciar o evangelho do reino de Deus (Lc 16,16). Mateus afirma que o evangelho do Reino será pregado a todas as nações, antes que venha o fim do mundo (Mt 24,14).
Mesmo assim, gostaríamos de saber quando essas coisas acontecerão. Para nosso consolo, o próprio Jesus disse que não sabia: “Quanto a esse dia a essa hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho, mas somente o Pai” (v. 36). Apenas afirmou que a vinda do Filho do Homem será inesperada e repentina como um relâmpago (v. 27).

Frei Ludovico Garmus, OFM

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