Institucional

30º Domingo do Tempo Comum, ano C

24.10.2019
Liturgia

30º Domingo do Tempo Comum, ano C

 Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, aumentai em nós a fé, a esperança e a caridade e dai-nos amar o que ordenais para conseguirmos o que prometeis”.


1. Primeira leitura: Eclo 35,15b-17.20-22a
A prece do humilde atravessa as nuvens.

A primeira leitura coloca-se no contexto dos sacrifícios oferecidos a Deus (35,1-14). O sábio recomenda que os sacrifícios sejam oferecidos com generosidade. Insiste, porém, que a Deus agrada mais a prática do bem do que o sacrifício: observar os mandamentos do Senhor, praticar a caridade, dar esmolas e afastar-se da injustiça. Alerta que, sem a vivência do amor ao próximo, o sacrifício seria uma inútil tentativa de subornar a Deus (v. 14; cf. Os 6,6).
A leitura de hoje completa os pensamentos do texto anterior e nos convida a buscar um relacionamento com Deus pela oração e a prática do bem, sem a mediação de sacrifícios. Parte do princípio de que Deus não se deixa subornar com generosos sacrifícios (v. 14), como acontecia com juízes injustos de seu tempo, que vendiam a sentença em favor dos ricos e prejuízo dos pobres. Quando julga, Deus não olha o quanto alguém lhe possa oferecer por uma sentença favorável, mas sempre escuta a súplica do pobre e do oprimido. O pobre não tem como pagar a Deus, porque é pobre, nem o rico, porque é rico. A sentença é gratuita. Deus não discrimina ninguém, mas tem sua preferência pelos desfavorecidos, pobres, oprimidos, órfãos e viúvas que lhe pedem socorro. E se Deus atende a súplica do órfão e da viúva, também atenderá a súplica de quem “o serve como ele quer”, isto é, age em favor dos pobres e sofredores. A prece, porém, deve ser humilde e persistente como a dos pobres; a súplica deles não descansa enquanto não “atravessar as nuvens” e for atendida por Deus. E Deus, que é justo juiz, certamente fará justiça para quem lhe pede socorro. A imagem que o sábio tem de Deus se aproxima à de Jesus na parábola do juiz injusto e da viúva pobre (29º domingo).

Salmo responsorial: Sl 33
O pobre clama a Deus e ele o escuta:
o Senhor liberta a vida dos seus servos.


2. Segunda leitura: 2Tm 4,6-8.16-18
Agora está reservada para mim a coroa da justiça.

Na 2ª leitura é exposto uma parte do que é considerado “o testamento do Apóstolo” (4,1-8). Paulo tem consciência de que é pecador, salvo pela graça de Deus (1Tm 1,13; Gl 1,11-16a). Sabe que sua partida deste mundo está próxima. Considera-se pronto para ser oferecido em sacrifício, o martírio. Vale-se da linguagem esportiva para falar da missão cumprida: “Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé”. Paulo guardou não só a fé, mas também a esperança de receber do Senhor, justo Juiz, a coroa da justiça, reservada para ele e para todos os que aguardam com amor a sua vinda gloriosa, no fim dos tempos.
Por fim, para dar ânimo a Timóteo, Paulo lembra-lhe o quanto foi decisiva a força da graça divina para que ele, Paulo, cumprisse fielmente a missão que Cristo lhe confiou. Por isso, entrega-se confiante nas mãos do Senhor que o livrará de todo o mal e o salvará para o Reino celeste. E conclui: “Ao Senhor, a glória, pelos séculos dos séculos! Amém”.
Bem diferente é a postura do fariseu que glorifica a si mesmo e não a Deus (Evangelho). Paulo manifesta uma profunda união com Cristo, vivida com fé, esperança e amor. Como eu vivo a união com Cristo e com os irmãos?

Aclamação ao Evangelho: 2Cor 5,19
O Senhor reconciliou o mundo em Cristo, confiando-nos sua Palavra;
a Palavra da reconciliação, a Palavra que hoje, aqui, nos salva.


3. Evangelho: Lc 18,9-14
O cobrador de impostos voltou para casa justificado, o outro não.

No domingo passado nos foi proposta a parábola da viúva pobre, que, com persistência, clamava por justiça, até conseguir dobrar o juiz injusto para lhe fazer justiça. Jesus contou essa parábola para mostrar aos discípulos “a necessidade de rezar sempre, e nunca desistir”. Jesus revelou um pouco da imagem de Deus misericordioso, que atende à prece humilde e persistente do pobre. O texto do Evangelho de hoje é continuação do texto do domingo passado. Jesus conta mais uma parábola, agora para ilustrar a maneira mais adequada de se relacionar com Deus, que é a oração humilde. Lembremos que Jesus está em viagem com os discípulos e o povo rumo a Jerusalém. Era a romaria anual que se fazia por ocasião das festas da Páscoa judaica. Todos se dirigiam ao Templo, “a casa de oração”, meta da romaria (Lc 19,45-46).
É neste contexto que Jesus conta a parábola do fariseu e do cobrador de impostos. Ambos entram no Templo para rezar. Os fariseus se consideravam justos e retos, um exemplo da fiel observância da Lei. Os cobradores de imposto (publicanos) exerciam uma profissão ingrata. Eles tinham um chefe e recebiam dele uma comissão pelo valor arrecadado. Os da escala mais baixa cobravam diretamente do povo as taxas de alfândega exigidas pelos romanos e, descontada a comissão, repassavam o dinheiro a seu chefe. Os cobradores de imposto faziam o “serviço sujo”, aumentando sua comissão; eram odiados pelo povo e desprezados como pecadores pelos fariseus.
O fariseu rezava de pé e não veio para pedir perdão. Não colocou a Deus como centro de sua oração. Fez dele mesmo o centro de sua oração, e dizia: "Ó Deus, eu te agradeço, porque não sou como os outros homens, ladrões, desonestos, adúlteros ou como este cobrador de impostos”. Considerava-se perfeito, porque jejuava duas vezes por semana e pagava direitinho o dízimo. O fariseu não se apresenta a um Deus pessoal, mas diz “Ó Deus”, um Deus distante que deve reconhecer sua justiça (1ª leitura). Não se encontra, nem se confronta com Deus. Apenas se compara com “os outros homens”, que são pecadores.
O cobrador de impostos, porém, ficou à distância; de cabeça baixa, nem ousava levantar os olhos para o céu. Com humildade, batia no peito e dizia: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador”.
Jesus mesmo tira a lição desta parábola: “Eu vos digo: este último voltou para casa justificado, o outro não. Pois quem se eleva será humilhado, e quem se humilha será elevado”.

Frei Ludovico Garmus, OFM

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