Institucional

25º Domingo do Tempo comum, ano C

20.09.2019
Liturgia

25º Domingo do Tempo comum, ano C

 Oração: “Ó Pai, que resumistes toda a lei no amor a Deus e ao próximo, fazei que, observando o vosso mandamento, consigamos chegar um dia à vida eterna”.


1. Primeira leitura: Am 8,4-7
Contra aqueles que dominam os pobres com dinheiro.

Na primeira leitura temos a pesada denúncia do profeta Amós contra os comerciantes que acumulam riquezas à custa dos humildes e pobres camponeses – “os pobres da terra” (v. 4.6). A economia era baseada na agricultura, mas dominado por um sistema econômico injusto, que tornava os ricos sempre mais ricos e os pobres, mais pobres. O tributo cobrado dos camponeses sustentava o rei e sua corte, a administração e o exército. E o rei exigia sempre o melhor da produção agrícola e as sobras ficavam com o camponês. As duas primeiras visões ligadas à vocação do profeta (Am 7,1-8) lembram a vida insegura dos camponeses explorados. Na primeira, o profeta vê que o feno que brotava após a colheita destinada aos cavalos do exército real estava sendo devorado por um bando de gafanhotos. Na segunda, vê uma terrível seca que devorava as plantações e secava as fontes, e suplica: “Senhor Deus, perdoa, eu te peço! Como poderá Jacó resistir? Ele é tão pequeno”! Amós coloca-se ao lado dos “pequenos” e pobres camponeses, duplamente explorados. Os comerciantes não respeitam a festa mensal da lua nova, nem o sábado dedicado ao descanso e ao culto ao Senhor. Nesses dias tramam como enganar o camponês, quando compram seus produtos, e o pobre, quando lhe vendem. Tratam o camponês como “commodity”, o pobre como mercadoria. Quando compram do camponês diminuem o peso, quando vendem, diminuem a medida. Substituem o culto a Deus pelo culto às riquezas injustamente acumuladas. Por isso, diz o profeta: “O Senhor jurou: ‘nunca mais esquecerei o que eles fizeram’”. Javé é o mesmo Deus que libertou Israel da escravidão do Egito e não tolera a opressão dos pobres. O verdadeiro culto ao Senhor não combina com a exploração dos pobres.

Salmo responsorial: Sl 112
Louvai o Senhor que eleva os pobres.


2. Segunda leitura: 1Tm 2,1-8
Recomendo que se façam orações por todos os homens,
Deus quer que todos sejam salvos.

No trecho da Carta a Timóteo, Paulo recomenda que se façam orações não só pelos irmãos de fé, mas por todas as pessoas, especialmente pelas autoridades (cf. Rm 13,1-7; Tt 3,1). Paulo era cidadão romano e apelou a César quando foi preso em Jerusalém e ameaçado de morte pelos adversários judeus. Ele tem consciência da importância de orar pelos governantes e justifica esta ação com três argumentos: a) “para que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade”; b) porque Deus quer salvar a todos; c) porque “há um só Deus, e um só mediador entre Deus e os homens, o homem Cristo Jesus. E, por fim, dá uma boa recomendação para nossos dias: erguer as mãos santas em oração quando rezamos pelos governantes, em vez de discutir raivosamente os conflitos políticos de nossos dias. Portanto, rezemos também pelos nossos governantes, “para que possamos levar uma vida tranquila e serena, com toda a piedade e dignidade”.

Aclamação ao Evangelho
Jesus Cristo, sendo rico, se fez pobre, por amor;
Para que, assim, sua pobreza nos enriquecesse.


3. Evangelho: Lc 16,1-13
Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro.

No domingo passado (24º domingo) foram proclamadas as chamadas “parábolas da misericórdia”: da ovelha perdida, da moeda de prata perdida e do “filho pródigo”, chamada também parábola do Pai misericordioso. No Evangelho de hoje, dirigindo-se aos discípulos, Jesus conta a parábola do administrador infiel e faz uma aplicação prática para o bom uso dos bens “deste mundo”. Um homem rico, diz Jesus, tinha um administrador (ecônomo) que foi acusado de esbanjar os bens de seu patrão. Ouvindo isso, o homem rico chamou o administrador para que lhe prestasse contas da má administração. Sabendo que seria demitido, o administrador prepara seu futuro, trapaceando mais uma vez. Abateu a dívida de um devedor em cinquenta por cento e de outro, em vinte por cento. O patrão, quando soube disso, “elogiou o administrador desonesto, porque ele agiu com esperteza”.
Esta última frase pode deixar o ouvinte confuso: Estaria Jesus elogiando a safadeza nos negócios? Ou justificando o provérbio “quem rouba ladrão tem cem anos de perdão”? Em primeiro lugar, quem elogia não é Jesus, e sim, o patrão. Em questão, não está a safadeza, e sim, a esperteza, ou prudência, no uso dos bens. Imprudente e louco foi aquele homem que fez uma enorme colheita, acumulou tudo em grandes armazéns, pensando que gozaria deles pelo resto da vida; mas naquela mesma noite morreu (cf. Lc 12,13-21: 18º Domingo). Em segundo lugar, o próprio Jesus dá a explicação do caso contado: “Com efeito, os filhos deste mundo são mais espertos em seus negócios do que os filhos da luz. Na lógica dos “filhos deste mundo” está o lucro, o acúmulo de bens injustos à custa dos pobres (1ª leitura); o negócio dos filhos deste mundo é o dinheiro. Na lógica dos “filhos da luz”, dos discípulos que abraçam reino de Deus, está no uso justo das riquezas, na partilha dos bens com os pobres. Enquanto os filhos deste mundo projetam sua felicidade no acúmulo dos bens, aos “filhos da luz” (discípulos) Jesus aponta o caminho do bom uso do dinheiro: “Usai o dinheiro injusto para fazer amigos”. Espanta-nos que Jesus aconselhe a fazer amigos com o “dinheiro injusto”. Dinheiro injusto é o dinheiro das grandes fortunas, muitas vezes acumuladas com desonestidade; é o dinheiro que escraviza e divide a sociedade (cf. Zaqueu: Lc 19,1-10). O rico que se torna cristão é convidado a fazer amigos, partilhando seus bens com os mais pobres. Entrar no reino de Deus anunciado por Jesus exige uma opção, que leva a um novo patamar de ‘relacionamento’ com os bens deste mundo e, consequentemente, com as pessoas: “Ninguém pode servir a dois senhores (...). “Vós não podeis servir a Deus e ao dinheiro”. De fato, quando o jovem rico desiste de seguir a Jesus, ele comenta com os discípulos: “Como é difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus” (Lc 18,24). Ser cristão é colocar Deus como centro e meta da própria vida.

Frei Ludovico Garmus, OFM

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