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22º Domingo do Tempo Comum, ano C

30.08.2019
Liturgia Artigos

22º Domingo do Tempo Comum, ano C

 Oração: “Deus do universo, fonte de todo bem, derramai em nossos corações o vosso amor e estreitai os laços que nos unem convosco para alimentar em nós o que é bom e guardar com solicitude o que nos destes”.


1. Primeira leitura: Eclo 3,19-21.30-31
Sê humilde, e encontrarás graça diante de Deus.

A primeira leitura trata da humildade em confronto com o orgulho. A pessoa que trabalha com mansidão e humildade, exercendo seus talentos, será mais amada do que uma pessoa apenas generosa. Quanto mais uma pessoa “subir na vida”, tanto mais deve ser humilde; é isso que agrada a Deus. Deus revela seus mistérios aos humildes e não aos orgulhosos. Jesus louva ao Pai que assim age: “Eu te louvo, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11,25). Os humildes – continua o texto – glorificam o poder do Senhor, enquanto os orgulhosos se glorificam a si mesmos. Por isso, para o orgulhoso não há remédio, porque o pecado está enraizado nele. Deus derruba os poderosos de seus tronos e exalta os humildes (cf. Lc 1,52).

Salmo responsorial: Sl 67
Com carinho preparastes uma mesa para o pobre.


2. Segunda leitura: Hb 12,18-19.22-24a
Vós vos aproximastes do monte Sião
e da cidade do Deus vivo.

Para confortar os judeus convertidos ao cristianismo, o autor da Carta aos Hebreus compara a antiga aliança com Deus no Sinai com a nova aliança em Cristo Jesus. Joga com as palavras aproximar/afastar, reunir/separar. A teofania (manifestação de Deus) do Sinai era descrita, até certo ponto, como “realidade palpável”. Mas também assustadora: fogo, escuridão, trevas e tempestade, som de trombeta e voz poderosa (Ex 19,16). O povo suplicava para não ouvir essa voz poderosa e pedia que o Senhor lhes falasse por intermédio de Moisés (Dt 5,23-30; 18,16). O povo devia afastar-se da montanha sagrada; somente Moisés pôde ali subir (Ex 19,12-24). Por um lado, pela aliança, Deus se unia a seu povo; por outro, era um Deus assustador, que afastava o povo.
Se na antiga aliança o povo não podia aproximar-se do monte santo nem de Deus, na nova aliança o cristão pode aproximar-se do monte Sião, cidade do Deus vivo, da cidade celeste, da reunião festiva de anjos, da assembleia dos primogênitos. Pode aproximar-se, sem temor, do próprio Deus, Juiz de todos, de Jesus de Nazaré. Em Jesus, mediador da nova aliança, Deus fez sua morada entre nós (Jo 1,14), para que pudéssemos morar para sempre com Ele na Jerusalém celeste, a cidade do Deus vivo. Em Jesus de Nazaré Deus se aproximou de nós, se fez humano para entrarmos em comunhão definitiva com Ele. “A proximidade com Jesus não assusta, mas compromete” (Konings).

Aclamação ao Evangelho:
Tomai meu jugo sobre vós e aprendei de mim,
que sou manso e humilde de coração!


3. Evangelho: Lc 14,1.7-14
Quem se eleva, será humilhado,
e quem se humilha, será elevado.

Na aclamação ao Evangelho Jesus dizia: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração”. E no texto deste 22º domingo Jesus aparece como exemplo de humildade. Jesus foi convidado por um fariseu para tomar uma refeição com ele. Como era de se esperar, o fariseu convidou também seus amigos, irmãos, parentes e vizinhos ricos (v. 12); portanto, pessoas do mesmo nível social dos ricos. O fariseu e seus convidados observavam a Jesus, para terem motivo de acusá-lo de uma possível transgressão da Lei. Jesus também os observava e notou que os convidados escolhiam os primeiros lugares, mais próximos do dono da casa. Contou-lhes então uma parábola na qual, um convidado a uma festa de casamento, que havia ocupado o primeiro lugar, teve que ceder seu lugar para outro convidado mais importante, passou muito vergonha e foi ocupar o último lugar. É melhor, dizia Jesus, ocupar o último lugar. Neste caso, se o dono da festa te disser: “Amigo, vem mais para cima, isto seria uma honra para ti diante dos convidados”. E Jesus mesmo tira a lição: “Quem se eleva, será humilhado e quem se humilha, será elevado”.
Em seguida, Jesus aconselha o fariseu a não convidar os amigos de seu nível social, e sim, os pobres, os alejados, os coxos e os cegos. Estes não poderiam retribuí-lo com um convite, como os amigos ricos. O Reino de Deus não é o da meritocracia, mas da gratuidade: os pobres e alejados jamais teriam condições de convidar Jesus a um banquete, muito menos ao fariseu e seus amigos. O que traz a verdadeira felicidade, já aqui na terra, é a esperança da “ressurreição dos justos”, isto é, a participação no banquete da vida eterna.

Banquete dos convidados do fariseu                      Banquete dos convidados de Jesus
Jesus                                                                       Pobres
Amigos                                                                     Alejados
Irmãos                                                                      Coxos
Parentes                                                                   Cegos
Vizinhos ricos                                                            Fariseu

Fariseu significa “separado”. Era a elite religiosa rigorista na interpretação da Lei, que se separava da massa dos pecadores e “impuros”. Jesus não separa, mas une e agrega (2ª leitura). Pede aos ricos que tenham misericórdia dos pobres, desçam de suas “árvores”, convertam-se e partilhem seus bens com os pobres, como fez Zaqueu (cf. Lc 19,1-10).

Frei Ludovico Garmus, OFM

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