Institucional

14º Domingo do Tempo Comum

05.07.2019
Liturgia

14º Domingo do Tempo Comum

 Oração: Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria, e daí aos que libertastes do pecado o gozo das alegrias eternas”.


1. Primeira leitura: Is 66,10-14c
Eis que farei correr para ela a paz como um rio.

A primeira leitura renova e atualiza as promessas feitas aos judeus exilados em Babilônia, através de um profeta, discípulo de Isaías. Ele animava o povo com a esperança de um próximo e glorioso retorno do povo para a terra de Judá e para Jerusalém, a cidade santa. O retorno aconteceu depois do ano 538, quando Ciro, rei dos persas, permitiu que os povos exilados voltassem a suas terras. Mas, mesmo depois do retorno, a vida em Judá e Jerusalém continuava difícil e o desânimo tomava conta do povo. Havia conflitos com os que tinham ocupado as terras abandonadas pelos exilados e a reconstrução das moradias e do templo era dificultada. Levanta-se, então, a voz de outro discípulo de Isaías para reanimar os desalentados. Anuncia que as promessas de salvação continuam válidas. Deus não abandona os que ele ama e é fiel às suas promessas. Os que choravam de amor por Jerusalém, agora são convidados a se alegrar – exultar de alegria e júbilo –, porque Deus, como uma mãe, está pronto para consolar, acariciar e amamentar os filhos em seu colo. A promessa central se dirige a Jerusalém e o seu povo: “Farei correr para ela a paz como um rio e a glória das nações como torrente transbordante”. Todos os povos acorrerão a Jerusalém, aos braços maternos de Deus (Sl 131). E então haverá paz! Viver na presença de Deus traz a verdadeira paz (Evangelho). Anunciar e promover a paz é a missão dos “filhos de Deus” (Mt 5,9).

Salmo responsorial: Sl 65
Aclamai o Senhor Deus, ó terra inteira
cantai salmos a seu nome glorioso.


2. Segunda leitura: Gl 6,14-18
Trago em meu corpo as marcas de Jesus.

Paulo fundou a comunidade cristã da Galácia (atual Turquia) durante a segunda viagem missionária e as revisitou na terceira viagem. A maior parte da comunidade era formada por pagãos convertidos. Entre as duas viagens vieram cristãos de origem judaica, que forçavam os pagãos convertidos a observarem a Lei de Moisés, adotando práticas judaicas, como a circuncisão. Ao saber disso, Paulo ficou indignado porque, obrigando a observar a Lei como condição para serem salvos, anulava-se a fé em Cristo. Isso contrariava o evangelho que Paulo anunciava: a salvação não vem da Lei, mas pela fé em Jesus Cristo, que morreu por nós e ressuscitou. O texto hoje escolhido faz parte da conclusão da carta. Paulo costumava ter um “secretário” que escrevia o que ele ditava. Mas a conclusão é de “própria mão, escrita com grandes letras” (6,11), expressão que resume e frisa os pontos mais importantes da carta.
O Apóstolo defende seu evangelho e denuncia os judeu-cristãos que tentam escravizar os pagãos convertidos a Cristo. Eles se gloriavam de terem forçado os novos cristãos a se circuncidarem. Paulo, porém, se gloria somente na cruz de Cristo. Por causa de sua pregação, Paulo sofreu perseguições, foi apedrejado e flagelado várias vezes. Com razão podia dizer: “eu trago em meu corpo as marcas de Jesus”. É pela cruz de Cristo que somos salvos. Não importa se alguém é circuncidado ou não, se é judeu ou pagão. Os que acolhem esta fé em Cristo crucificado fazem parte da “nova criação” e formam o “Israel de Deus”, distinto do Israel segundo a carne (Gl 5,6). A nova criação é graça, é um dom de Deus. É o vinho novo que deve ser colocado em odres novos, do contrário arrebenta os odres velhos (Lc 5,37-38).

Aclamação ao Evangelho
Aleluia, Aleluia, Aleluia.
A paz de Cristo reine em vossos corações:
ricamente habite em vós sua palavra.


3. Evangelho: Lc 10,1-12.17-20
A vossa paz repousará sobre ele.

O evangelho nos fala da missão dos setenta e dois discípulos, seguidores de Jesus. Com Marcos e Mateus, Lucas lembra que Jesus enviou os doze apóstolos em missão. Mas Lucas é o único a lembrar a missão dos setenta e dois discípulos. O número 70 lembra a totalidade das nações descendentes dos filhos de Noé, após o dilúvio (Gn 10). Portanto, toda a humanidade salva por Deus. Este número lembra também os 70(72) anciãos escolhidos por Moisés. Com eles Moisés devia partilhar seu espírito (poder) para dirigir e julgar o povo de Deus no deserto (Nm 11,23-30). Em nosso texto, Jesus partilha seu Espírito com os doze apóstolos e os 72 discípulos. Todos eles são enviados por Jesus com o “poder” de expulsar os demônios, curar os enfermos, anunciar que o Reino de Deus está próximo. A missão imediata destes discípulos é preparar a vinda de Jesus, em toda a cidade e lugar para onde Ele próprio haveria de ir. Mas esta missão se encaixa no contexto da universalidade da missão do Filho de Deus encarnado (Lc 2,30-32), confirmada quando Jesus conclui sua missão ao subir aos céus: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, até os confins da terra” (At 1,8). Ninguém é excluído da salvação trazida por Cristo.
O motivo da escolha e envio destes discípulos é que “a messe é grande e os trabalhadores são poucos” (Lc 10,2). A missão é tão ampla que é preciso pedir ao dono da messe que envie mais trabalhadores. Jesus alerta os discípulos sobre as dificuldades que haverão de enfrentar: serão como ovelhas entre lobos, deverão andar despojados como os pobres, sem levar bolsa (dinheiro), sacola (merenda, roupa) e sandálias. O que deverão fazer?
Visitar as famílias (casas), anunciar que o Reino de Deus está próximo, saudar as pessoas e levar para elas a paz, isto é, Jesus que traz a todos a paz e a reconciliação com Deus e com o próximo. Se forem bem acolhidos, poderão ali se hospedar. Se forem mal recebidos, devem anunciar a mesma coisa nas cidades, curando os doentes que ali encontrarem. Em outras palavras, deverão anunciar o Reino de Deus e fazer o que Jesus fazia.
A experiência missionária foi muito gratificante para os discípulos e para Jesus. Eles voltaram muito contentes e diziam: “Senhor, até os demônios nos obedeceram por causa de teu nome”! E o próprio Jesus confirma: “Eu vi Satanás cair do céu, como relâmpago”! Sim, o Reino de Deus cresce, à medida em que vivemos e promovemos a justiça e a paz. Os discípulos preparavam a vinda do Reino de Deus onde Jesus devia chegar. Eis o imenso campo aberto para nossa missão.

Frei Ludovico Garmus, OFM

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