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4º Domingo da Páscoa

10.05.2019
Artigos Liturgia

4º Domingo da Páscoa

 Oração: “Deus eterno e todo-poderoso, conduzi-nos à comunhão das alegrias celestes, para que o rebanho possa atingir, apesar de sua fraqueza, a fortaleza do Pastor”.

1. Primeira leitura: At 13,14.43-52
Eis que nos voltamos para os pagãos.

A comunidade cristã de Antioquia da Síria, já florescente, movida pelo Espírito Santo, decidiu enviar Barnabé e Paulo para anunciar o Evangelho em outras cidades do Império Romano (At 13,1-3). Depois de uma breve missão na ilha de Chipre (13,4-12), os apóstolos chegam à cidade de Antioquia da Pisídia. No sábado, como de costume, entraram na sinagoga onde estavam reunidos para o culto judeus e pagãos, recém “convertidos ao Judaísmo”. O chefe da sinagoga convidou os visitantes, para comentar as leituras da Lei e dos profetas e fazer uma exortação ao povo. Paulo aceitou o convite e faz um resumo da história de Israel desde o Egito, passando pela monarquia até chegar a Davi e à promessa que o rei recebeu de sempre ter no trono um descendente seu. A esperança do messias prometido estava viva, também entre os judeus da dispersão (diáspora). Sem dúvida, as notícias sobre Jesus de Nazaré, sua morte na cruz e sobre seus discípulos já haviam chegado até Antioquia da Pisídia. Paulo aproveitou a ocasião para anunciar a ressurreição de Cristo Jesus. Afirma também que pela fé em Cristo se obtêm o perdão dos pecados e a justificação e não mais pela observância da Lei de Moisés. A repercussão do discurso foi grande, de modo que, no sábado seguinte, uma multidão de judeus e convertidos ao Judaísmo acorreu à sinagoga para ouvir o ensinamento dos apóstolos. Mas a assembleia logo se dividiu. Boa parte dos judeus se opôs à nova doutrina e, com a ajuda dos convertidos ao Judaísmo mais ricos, expulsaram Paulo e Barnabé de sua região. Porém, os pagãos convertidos ao Judaísmo que abraçaram a fé se alegraram e “glorificavam a palavra do Senhor” e assim “a palavra do Senhor se difundia por toda a região”. Pela força do Espírito Santo e pelo testemunho dos cristãos, a palavra de Deus faz seu próprio caminho. Lucas nos mostra como o rebanho de Jesus, Cordeiro e Pastor, cresce dia-a-dia (2ª leitura e Evangelho).

Salmo responsorial: Sl 99
Sabei que o Senhor, só ele, é Deus,
nós somos seu povo e seu rebanho.


2. Segunda leitura: Ap 7,9.14b-17
O Cordeiro vai apascentá-los e os conduzirá
às fontes da água da vida.

O autor do Apocalipse escreve na década de 90 d.C. Os cristãos eram vítimas de violentas perseguições, como as de Nero (64-68 d.C.) e de Domiciano (81-96 d.C.). Muitos cristãos perderam a vida por causa da fé em Cristo ressuscitado. O texto que de hoje divide-se em duas cenas. A primeira fala dos 144 mil eleitos das doze tribos de Israel (7,1-8), que representam a salvação dos judeus convertidos a Cristo. A segunda cena volta-se para a salvação de uma inumerável multidão de “gente de todas as nações, tribos, povos e línguas”. Trata-se da salvação dos pagãos que abraçaram a fé em Cristo (v. 9-17). Os eleitos reconhecem que a salvação de que gozam deve-se Àquele que está sentado no trono (Deus) e ao Cordeiro (Jesus). Eles adoram a Deus e a corte celeste se prostra em adoração (v. 10-12). Depois disso (v. 13), um dos anciãos explica ao vidente que os que estão vestidos de branco vieram da grande tribulação, isto é, foram perseguidos ou martirizados por causa da fé em Cristo e suas vestes foram branqueadas pelo sangue do Cordeiro. Eles participam da glória do céu, graças à morte redentora de Cristo, Filho de Deus. Por isso, agora estão junto ao trono e lhe prestam culto, dia e noite, no seu templo, que lhe serve ao mesmo tempo de moradia (tenda). Cristo, a Palavra de Deus que “se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14), por sua morte, tornou-se “o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1,29). O Cordeiro, “no meio do trono”, se identifica com o próprio Deus. Habitou entre nós e quer que habitemos com ele e sejamos introduzidos na sua tenda. Ali não haverá mais sofrimento algum, pois, o Cordeiro, assumindo nossa carne, faz parte do rebanho e é o pastor que conduz seu rebanho “às fontes da água da vida” (cf. Jo 4,1-15; Ap 22,17) e “enxugará as lágrimas” de nossos olhos (Ap 21,4)

Aclamação ao Evangelho: Jo 10,14
Eu sou o bom pastor, diz o Senhor;
eu conheço as minhas ovelhas e elas me conhecem a mim.


3. Evangelho: Jo 10,27-30
Eu dou a vida eterna para as minhas ovelhas.

O Evangelho do 4º Domingo da Páscoa tem como tema o Bom Pastor. No ano A, Jesus se apresenta como o verdadeiro pastor, que conhece suas ovelhas, e lhes dá segurança, como porta de entrada para o curral (Jo 10,1-10). No ano B, apresenta-se como o Bom Pastor capaz de doar sua vida pelas ovelhas (Jo 10,11-18). Hoje, numa discussão com os judeus, que o questionavam se ele era o Cristo, Jesus se apresenta em sua relação íntima com o rebanho e com o Pai. Como pastor, Jesus conhece suas ovelhas; elas escutam sua voz e o seguem. A meta do pastor é levar as ovelhas com segurança às fontes de água viva (2ª leitura), ou seja, à vida eterna. Os pagãos acolheram a palavra de Deus anunciada por Paulo e Barnabé e garantiram a vida eterna. Os judeus, porém, não se consideraram dignos da vida eterna, porque rejeitaram a Palavra de Deus anunciada pelos apóstolos (1ª leitura). As leituras de hoje mostram porque Jesus é o Bom Pastor, “o caminho, a verdade e a vida”.
Quando escutamos a voz do Bom Pastor e o seguimos, entramos em comunhão com Cristo e com o Pai: “Eu e o Pai somos um”.

Frei Ludovico Garmus, ofm

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