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2º Domingo da Quaresma, ano C

12.03.2019
Liturgia Artigos

2º Domingo da Quaresma, ano C

Oração: “Ó Deus, que nos mandastes ouvir o vosso Filho amado, alimentai nosso espírito com a vossa palavra, para que, purificado o olhar de nossa fé, nos alegremos com a visão da vossa glória”.


1. Primeira leitura: Gn 15,5-12.17-18
Deus fez aliança com Abraão, homem de fé.

Abraão chegou ao Egito, com a esperança de ver cumprida a promessa que Deus lhe tinha feito de lhe dar uma terra e uma numerosa descendência (Gn 12,1-3). No Egito, porém, por covardia, quase perdeu sua esposa Sara, cobiçada pelo faraó. De volta a Canaã, Deus renova a promessa da terra e da descendência (13,14-18) e lhe promete proteção contra os inimigos (15,1). Abraão acreditava nas promessas divinas, mas estava cansado de esperar. E queixa-se com Deus: Que adianta esperar uma terra, se vou acabar morrendo sem um filho meu? Se continuar assim, o herdeiro do pouco que possuo, será meu servo, Eliezer de Damasco. Mas Deus reitera a promessa: “um de teus descendentes será o herdeiro” (15,2-4).
Hoje ouvimos que Deus toma a iniciativa e conduz Abraão para fora de sua tenda. Habituado a ver apenas seu pequeno mundo (tenda, terra), Abraão é convidado a sair de si e contemplar com os olhos do Criador o mundo por ele criado: “Olha para o céu e conta as estrelas, se fores capaz! Assim será a tua descendência”. Deus renova também a promessa da terra. Abraão creu no Senhor. Mesmo assim, pergunta: “Como vou saber que vou possuí-la”? Segue, então, o sacrifício que Abraão oferece a pedido do Senhor. Deus aceita o sacrifício, mas não responde à pergunta de Abraão; no entanto faz com ele uma aliança e uma promessa: “Aos teus descendentes darei esta terra”. A aliança e a fé não partem do ser humano, mas de Deus, que é fiel ao que promete.
“Abraão teve fé no Senhor” porque confiou em Deus que é fiel. Ancorou sua fé na fidelidade de Deus.
É assim que nós cremos?

Salmo responsorial: Sl 26
O Senhor é minha luz e salvação.


2. Segunda leitura: Fl 3,17–4,1
Cristo transformará o nosso corpo
e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso.

Na carta à comunidade de Filipos, Paulo questiona e anima a fé dos pagãos e judeus recém-convertidos a Cristo. Diz ele: “Muitos se comportam como inimigos da cruz de Cristo”. De cristãos têm apenas o nome. Continuam a viver as paixões terrenas, como se Cristo nada significasse. Paulo vivia e pregava o “Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gregos” (1Cor 1,23). Por isso, contrapondo-se aos “inimigos de Cristo”, apresenta-se como modelo a ser imitado.
O verdadeiro cristão abraça a cruz de Cristo neste mundo, mas vive com alegria. Vive neste mundo, mas é um “cidadão do céu”. É uma pessoa cheia de esperança, porque aguarda a vinda do Senhor Jesus Cristo, que transformará seu corpo humilhado num corpo glorioso como o seu.
Este é o Cristo que seguimos e no qual depositamos nossa fé? (Evangelho)

Aclamação ao Evangelho
R. Louvor a vós, ó Cristo, rei da eterna glória.


3. Evangelho: Lc 9,28b-36
Enquanto Jesus rezava, seu rosto mudou de aparência.

O evangelho de hoje apresenta Jesus como o Filho amado, o Escolhido do Pai, a quem somos convidados a escutar. Nos três primeiros evangelhos a cena da transfiguração é precedida pela confissão de Pedro em Jesus como o Messias esperado por Israel. Jesus começa a viagem com os discípulos a Jerusalém. Durante a viagem, Jesus explica em que sentido ele é o Messias. Ele não é o Messias que busca ser rei em Jerusalém – como o povo e os discípulos pensavam –, mas o Filho do Homem que seria condenado à morte. A cena da transfiguração é central para entender o mistério de Jesus, Filho do Homem. Situa-se entre o primeiro anúncio da paixão e ensinamento de Jesus aos discípulos sobre seu seguimento (Lc 9,21-27) e o segundo anúncio da paixão e um novo ensinamento sobre o seguimento de Jesus (Lc 9,43b-50). O primeiro ensinamento é um convite a seguir a Jesus, a renunciar a si mesmo, tomando cada um a sua cruz, e a perder a própria vida para salvá-la. No segundo ensinamento, Jesus critica a disputa pelo poder entre os discípulos (quem é o maior) e indica o tornar-se os menores e servir os outros.
A viagem a Jerusalém é interrompida pela Transfiguração, uma teofania ou manifestação especial de Deus. As testemunhas do que vai acontecer são os discípulos mais próximos de Jesus – Pedro, Tiago e João –, os mesmos que estarão com Jesus na agonia do Getsêmani. O cenário é o alto de um monte (hoje, o Tabor), que lembra o monte Sinai/Horeb, lugar da manifestação de Deus a Moisés e, depois, a Elias. Os dois representam a Lei e os Profetas, isto é, o Antigo Testamento (cf. Lc 24,35-45).
No monte, enquanto Jesus está rezando (cf. Lc 3,21-22), seu rosto muda de aparência e as vestes tornam-se brancas e resplandecentes. Envoltos na glória de Jesus, Moisés e Elias conversam com Jesus sobre sua futura morte em Jerusalém. Nisso, os discípulos acordam e, diante da maravilhosa visão, Pedro exclama: “Mestre, é bom estarmos aqui”! Esquece a temida viagem a Jerusalém e interrompe a conversa de Moisés e Elias sobre a morte do Mestre. Em três tendas, quer segurar Jesus, Moisés e Elias envoltos em glória. Com isso, Pedro esquece o “caminho” do sofrimento que levará a essa glória. Por um instante, foram testemunhas da glória do Senhor e logo uma nuvem misteriosa os envolve. Da nuvem, ouve-se uma voz que dizia: “Este é meu Filho, o Escolhido. Escutai o que ele diz”. E Jesus, o Filho Escolhido do Pai, “encontrou-se sozinho”, para retomar corajosamente, na frente dos discípulos, o caminho para Jerusalém (Lc 9,51).
Fica, porém, a mensagem do Pai Celeste: Jesus é seu Filho Escolhido, que se dirige corajosamente a Jerusalém, onde entregará sua vida por todos. O Pai continua dizendo a nós, discípulos de seu Filho: “Escutai o que ele diz”.
O que ele nos diz na Palavra de Deus hoje anunciada? Como vou corresponder ao que ele me diz? Vamos dizer isso ao próprio Filho de Deus, que nos convida a celebrar com ele sua Ceia.


Frei Ludovico Garmus, ofm

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